O jogo da Supertaça Cândido de Oliveira deste sábado, em Coimbra, reúne duas narrativas distintas mas igualmente pertinentes para o futebol português: de um lado, a oportunidade do FC Porto ultrapassar o Benfica na contagem total de troféus; do outro, a ambição do Torreense, equipa da II Liga, em conquistar a segunda grande prova do seu historial.
Uma corrida pelo palmarés nacional
Atualmente, FC Porto e Benfica apresentam um empate em termos de troféus oficiais contabilizados por cada clube: 87 títulos. Caso os dragões triunfem sobre o Torreense na Supertaça, passarão a deter, isoladamente, o maior número de troféus do futebol português. O empate mantém-se desde que os azuis e brancos conquistaram o último campeonato, alcançando essa fasquia.
Contexto histórico da Supertaça
A Supertaça Cândido de Oliveira tem sido, nas últimas décadas, terreno quase exclusivamente dominado pelos três grandes: FC Porto, Benfica e Sporting. A competição favorece os emblemas de maior dimensão nacional e essa tendência confirma-se nas estatísticas recentes.
- FC Porto — 15 Supertaças conquistadas;
- Benfica — 7 Supertaças conquistadas;
- Sporting — 6 Supertaças conquistadas;
De facto, é preciso recuar a 1997 para encontrar um vencedor da Supertaça que não pertença a um desses três clubes, quando o Boavista ergueu o troféu.
Torreense: a procura de um novo marco
O Torreense chega a Coimbra embalado pelo triunfo surpreendente na final da Taça de Portugal, quando, em maio, derrotou o Sporting por 2-1 após prolongamento. Esse sucesso constituiu o primeiro grande troféu do clube de Torres Vedras; o historial anterior incluía títulos numa II divisão e na Liga 3.
Para o Torreense, vencer a Supertaça representaria o segundo grande troféu oficial e uma consagração que marcaria o início de uma temporada já histórica, a começar pela primeira participação do emblema em competições europeias — a Liga Europa.
| Clube | Supertaças | Total de troféus (segundo a contabilidade referida) |
|---|---|---|
| FC Porto | 15 | 87 |
| Benfica | 7 | 87 |
| Sporting | 6 | — |
Há, contudo, nuances nessa contabilidade: o Benfica inclui na sua contagem títulos como a Taça Latina, que a FIFA não reconhece como competição oficial. Essa discrepância contribui para discussões recorrentes sobre o «verdadeiro» total de troféus quando se compara o palmarés dos clubes portugueses.
Consequências desportivas e simbólicas
Além do significado imediato de um troféu de abertura de temporada, a Supertaça assume um peso simbólico acrescido este ano. Para o FC Porto, a vitória significaria ultrapassar um rival histórico numa métrica carregada de significado para adeptos e estrutura do clube. Para o Torreense, a conquista representaria a confirmação de uma trajetória de sucesso e de afirmação nacional, com reflexos na autoestima do plantel, interesse mediático e na visibilidade para a estreia europeia.
O encontro terá, portanto, implicações que vão para além do resultado isolado: poderá alterar a narrativa do palmarés português e sublinhar, mais uma vez, a capacidade dos clubes de menor dimensão para surpreender em provas de eliminatórias.