Regresso à cidade e lembrança de um jogo com protagonistas inesperados
O anúncio de que a Supertaça Cândido de Oliveira volta ao Estádio Cidade de Coimbra, 22 anos depois, trouxe à tona memórias da última vez que a prova ali decorreu: um confronto que acabou por ter mais notícias extracampo do que propriamente futebolísticas. Em 2004, o vencedor foi o FC Porto, mas o assunto dominante nas vésperas e durante a partida foi o estado do relvado e as decisões da organização.
O encontro programado para 1 de agosto entre o campeão nacional, FC Porto, e o vencedor da Taça de Portugal, Torreense, marca o pontapé de saída da nova época. Mas a evocação do que se passou há duas décadas lembra que o local do jogo pode, por si só, tornar-se notícia — e nem sempre pela melhor razão.
O relvado, a alga e o anúncio que caiu como um choque
Na edição de 2004, foi reportado que, pouco antes do jogo, o relvado parecia um “batatal”. A Federação Portuguesa de Futebol (FPF), através do então presidente Gilberto Madaíl, admitiu que a chuva teria trazido uma alga que deteriorou o piso e que existia a hipótese de adiar o duelo. Foi esse anúncio, feito antes do arranque do jogo, que desencadeou a polémica entre dirigentes e clubes.
“Há uma semana fizemos uma inspeção e estava tudo bem. Contudo, uma alga causada pela chuva deteriorou gravemente o relvado. Se os clubes levantarem problemas, poderemos pensar em adiar o encontro”, declarou na altura Gilberto Madaíl.
O impacto do comunicado não ficou por aí: o tema ultrapassou a dimensão técnica e passou rapidamente para a esfera da credibilidade organizativa. Diretores do FC Porto mostraram-se insatisfeitos com a forma como a federação geriu a questão, argumentando que um jogo não pode ser adiado de um dia para o outro. Ainda segundo relatos, nem sequer houve o costumeiro reconhecimento do relvado por parte das equipas no dia anterior.
Reacções dos clubes e a escolha das bolas
O episódio suscitou críticas fortes — e não apenas do Porto. O Benfica, referido nas notícias da altura, disse ter tomado conhecimento das novidades pela rádio, lamentando a forma e o timing das comunicações. Em forma de descrição, a imprensa notou que a própria seleção da bola para o jogo foi um motivo de debate: chegou-se a ponderar, segundo a cobertura da época, usar uma bola diferente em cada parte.
- Relvado afetado por alga após chuva, segundo a FPF.
- Possibilidade de adiar a partida admitida publicamente.
- Clubes criticaram a comunicação e a gestão do calendário.
Consequências e lições para agora
A memória desse episódio interessa hoje porque coloca questões permanentes sobre planeamento, transparência e segurança em jogos que atraem grande atenção mediática. A escolha de Coimbra para a edição actual volta a obrigar organizadores, federação e clubes a demonstrar que lições foram tiradas e que o estádio está em condições aceitáveis para um evento que simboliza o arranque da época.
Seja pela história, seja pela expectativa competitiva, a Supertaça continuará a ser mais do que 90 minutos dentro das quatro linhas: é também um teste à logística e ao profissionalismo das entidades que a montam. Resta saber se, em 2026, o protagonista inesperado será outra vez o relvado — ou apenas o futebol.