Economia

Governo defende fim do visto prévio no PRR para evitar devolver “mais de mil milhões” a Bruxelas

O ministro da Economia e Coesão Territorial justificou a eliminação do visto prévio em obras do PRR com o risco de ter de devolver «muitas centenas, talvez mais de mil milhões de euros» a Bruxelas e apelou à aceleração da execução até ao prazo final de 31 de agosto.

Governo defende fim do visto prévio no PRR para evitar devolver “mais de mil milhões” a Bruxelas
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

O Executivo justificou a alteração do regime de visto prévio nas obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) com a necessidade de garantir a execução atempada dos projectos e evitar uma pesada factura financeira para o Estado. Em debate parlamentar, Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial, afirmou que a exigência de fiscalizações prévias estava a atrasar a execução e poderia levar à devolução de fundos comunitários.

“Foi uma das boas decisões deste Governo, foi eliminar a exigência de visto prévio nas obras do PRR sob pena de devolvermos muitas centenas, talvez mais de mil milhões de euros que iríamos ter de devolver a Bruxelas, porque não íamos conseguir cumprir os prazos”, disse o ministro, citando como argumento central a necessidade de celeridade na implementação das medidas cofinanciadas.

Medida e alcance

Em junho, o executivo avançou já com a isenção do visto prévio para projectos até 10 milhões de euros no âmbito do PRR. A intenção agora é alargar a medida à restante economia, reduzindo a intervenção prévia da administração na execução de contratos e obras. O Governo defende que Portugal é uma excepção na União Europeia ao exigir fiscalizações prévias com tanta frequência, enquanto a maioria dos Estados‑membros não aplica este tipo de controlo antes do arranque das obras.

Apesar da confiança do ministro na proposta, Castro Almeida reconheceu que, mesmo sem a devolução efectiva de fundos, haverá contratos e obras que não estarão concluídos até ao término do PRR. Por isso, deixou um apelo público aos promotores para acelerarem os trabalhos.

“Temos vindo a fazer um apelo muito insistente a todos os promotores […] para que completem as suas obras, tanto quanto possível, até 31 de agosto. Não se pode, nesta altura, tirar o pé do acelerador”

Riscos e consequências

A decisão procura equilibrar dois objectivos: por um lado, evitar a perda de fundos europeus por incumprimento de prazos; por outro, manter níveis adequados de controlo financeiro e de conformidade com as regras do PRR. A redução dos controlos prévios pode acelerar a despesa pública e desbloquear projectos, mas também aumenta a responsabilidade dos promotores e pode elevar o risco de irregularidades que venham a ser detectadas em fiscalizações posteriores.

  • Prazo final do PRR: 31 de agosto (apelo à conclusão de obras até essa data).
  • Limite já isento de visto: projetos até 10 milhões de euros.
  • Potencial impacto financeiro: risco de devolver “muitas centenas, talvez mais de mil milhões de euros”.
Item Valor/Descrição
Isenção aplicada (junho) Projetos até 10 milhões de euros
Prazo de execução 31 de agosto (fim do PRR)
Risco divulgado pelo ministro Devolver “muitas centenas, talvez mais de mil milhões de euros”

Perante este cenário, a execução do PRR entra numa fase sensível: a urgência em acelerar obras e contratos contrasta com a necessidade de salvaguardar a correcta aplicação dos fundos. A administração central terá de monitorizar de forma apurada os projectos que beneficiem da retira do visto prévio, preparando ferramentas de fiscalização posterior que assegurem a conformidade com as regras comunitárias e minimizem riscos de recuperação de verbas.

A discussão política seguirá, com partidos e agentes económicos atentos ao equilíbrio entre rapidez e controlo. Para já, o Governo aposta na redução de travões administrativos como forma de evitar a devolução de fundos e, simultaneamente, cumprir o calendário do PRR.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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