Concentração em Belém pede ação internacional
Na tarde de sábado, algumas dezenas de cidadãos guineenses reuniram-se em frente ao Palácio de Belém, em Lisboa, para exigir que o Presidente da República atue junto das instituições internacionais no sentido de obter a libertação de Domingos Simões Pereira, detido em Bissau.
O protesto, organizado por membros da comunidade guineense em Portugal, teve como objetivo sensibilizar o Presidente António José Seguro para que ele pressione organizações como a CPLP, a CEDEAO, a União Africana e a União Europeia, e, posteriormente, as Nações Unidas, no sentido de influenciar favoravelmente a situação do político.
“Queremos que o Presidente intervenha junto das instituições internacionais, nomeadamente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP], a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO], a União Africana e a União Europeia e depois, posteriormente, também junto das Nações Unidas […], influenciando favoravelmente a libertação de Domingos Simões Pereira”, disse o organizador da manifestação, Mariano Quande.
Os participantes ergueram bandeiras da Guiné-Bissau e cartazes que responsabilizavam o Presidente Sissoco Embaló por ações que qualificaram como repressivas. Durante a concentração ouviram-se cânticos e palavras de ordem como “a luta continua” e “abaixo os traidores”.
Segundo o organizador, a detenção do ex‑governante e eleito presidente da Assembleia Nacional Popular terá ocorrido sem acusação formal e com um tribunal nomeado em violação da Constituição local. Os manifestantes consideram o processo uma tentativa de silenciar adversários políticos e apelam a uma atitude mais firme de Portugal, enquanto país com responsabilidades históricas e diplomáticas junto das antigas colónias de língua portuguesa.
Da denúncia pública fizeram parte acusações de que o Executivo liderado por Sissoco Embaló emprega medidas de força para restringir liberdades e ter dissolvido a Assembleia da República para evitar escrutínio. Os organizadores também contestaram a proposta de um referendo promovido pelo regime, que classificaram como ilegítimo por decorrer de um golpe de Estado.
Para além do apelo ao Presidente da República, os manifestantes reivindicaram a abertura de canais de diálogo entre guineenses e o envolvimento de Portugal como mediador potencial. A ação em Belém insere‑se num contexto de tensão política na Guiné‑Bissau que mobiliza a diáspora e levanta questões sobre o papel das instituições multilaterais na promoção de soluções democráticas.
Quem estava envolvido e os pedidos
- Organizadores: membros da comunidade guineense em Lisboa, liderados por Mariano Quande.
- Reivindicação principal: intervenção do Presidente da República junto de organizações internacionais pela libertação de Domingos Simões Pereira.
- Outros pedidos: denúncia de repressão, contestação a medidas do Governo guineense e apelo à mediação diplomática de Portugal.
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Local | Frente ao Palácio de Belém, Lisboa |
| Participantes | Algumas dezenas de guineenses (comunitários e ativistas) |
| Pedido chave | Intervenção junto de CPLP, CEDEAO, UA, UE e ONU |
O protesto reflete a preocupação da diáspora sobre o rumo institucional na Guiné‑Bissau e sublinha a expectativa de que Portugal, por laços históricos e influência diplomática, possa desempenhar um papel ativo na promoção de uma solução que respeite a legalidade e os direitos políticos no país.