Projeto de Famalicão mostra potencial de abastecimento local
Um projecto agrícola iniciado durante a pandemia em Vila Nova de Famalicão transformou-se numa unidade que hoje comercializa produtos frescos para consumidores e estabelecimentos. A Horta D’Ria, criada por Tiago Carvalhal, deixou de ser apenas um cultivo para autoconsumo e passou a produzir em escala suficiente para abastecer mercearias, restaurantes e cabazes semanais.
O modelo seguido pela Horta D’Ria assenta na agricultura regenerativa e no conceito de Market Garden, privilegiando práticas sem pesticidas nem herbicidas. Segundo a reportagem, o projecto produz cerca de quatro toneladas de hortícolas por ano e fornece cabazes a aproximadamente 20 famílias, além de uma mercearia local e seis restaurantes do distrito do Porto.
“Aqui abolimos pesticidas, herbicidas, tudo o que é morte”, afirmou Tiago Carvalhal.
Para os habitantes da Horta, a experiência de Famalicão é relevante por três razões práticas: demonstra que pequenos espaços agrícolas podem contribuir consistentemente para o abastecimento local; evidencia a procura por produtos locais por parte de restaurantes e mercearias; e mostra a viabilidade económica de vender tanto em cabazes como em mercados semanais.
O impacto local pode materializar-se em ações concretas por parte de autarquias, agentes económicos e consumidores. Entre as medidas que podem facilitar a replicação do modelo estão:
- apoios técnicos para práticas regenerativas e formação agrícola;
- criação de canais de venda direta (mercados, cabazes, parcerias com restaurantes);
- políticas locais de compra pública e promoção de circuitos curtos de abastecimento.
Do ponto de vista operativo, o projecto alia produção anual significativa com presença regular no mercado local — a Horta D’Ria marca presença, segundo a reportagem, todos os sábados no mercado de Famalicão — o que garante visibilidade e ligação direta com consumidores. Para uma ilha como a Faial, onde a logística e os custos de importação afetam os preços e a disponibilidade, iniciativas semelhantes podem reduzir vulnerabilidades e aumentar a frescura e diversidade da oferta alimentar.
Segue-se uma síntese numérica do projecto, conforme os dados reportados:
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Produção anual | ~4 toneladas |
| Famílias com cabazes | ~20 |
| Restaurantes abastecidos | 6 |
O exemplo da Horta D’Ria não resolve, por si só, os desafios da soberania alimentar na Horta, mas reforça um caminho: combinar técnicas agrícolas sustentáveis com modelos de negócio locais pode criar rendimentos, empregos e maior autonomia alimentar. Resta ponderar quais os incentivos e infraestruturas necessárias para que projectos desta natureza se reproduzam em contextos insulares.