Economia Funchal Madeira

Iniciativa Liberal alerta para descida da procura no golfe apesar do aumento das receitas

Relatório do setor revela redução das voltas nos campos de golfe da Madeira entre janeiro e maio de 2026, com queda mais acentuada entre golfistas internacionais; partido questiona estratégia pública e discrepância entre receitas operacionais e impacto económico anunciado pelo Governo.

Iniciativa Liberal alerta para descida da procura no golfe apesar do aumento das receitas
©Ilustração IA Carolina Freitas / propagandistasocial.com

Queda nas voltas e interrogantes sobre a sustentabilidade da faturação

A Iniciativa Liberal (IL) veio este sábado chamar a atenção para uma diminuição significativa da procura pelos campos de golfe da Região Autónoma da Madeira nos primeiros cinco meses de 2026, apesar de uma ligeira subida dos rendimentos totais. Os dados apontam para uma contracção no número de voltas realizadas e para uma redução ainda mais marcada entre visitantes internacionais, levantando dúvidas sobre a eficácia da estratégia de reforço de investimento público no sector.

Entre janeiro e maio de 2026 o total de voltas caiu para 37.998, face às 44.876 do período homólogo de 2025, o que representa uma diminuição de 15,3%. A descida foi particularmente acentuada entre os golfistas estrangeiros, cujas voltas recuaram de 38.809 para 30.405 (-21,7%). As voltas de não sócios também mostraram quebra, de 19,6%.

Indicador Jan-Mai 2025 Jan-Mai 2026 Variação
Total de voltas 44.876 37.998 -15,3%
Voltas de internacionais 38.809 30.405 -21,7%
Rendimentos totais (milhares €) 2.260 2.350 +3,9%

Apesar da descida nas voltas, os campos registaram um aumento dos rendimentos, de cerca de 3,9%, passando de 2,26 para 2,35 milhões de euros no mesmo intervalo temporal. Para a IL, este contraste entre menos procura e maior faturação exige uma interpretação cuidadosa: é crucial perceber até que ponto esse incremento resulta de ajustes de preços e se esse caminho será sustentável a médio e longo prazo.

"o aumento da receita não significa necessariamente que o setor esteja mais saudável"

Gonçalo Maia Camelo, citado no comunicado do partido, sublinhou que a subida de receitas não deve ocultar a diminuição da procura e defendeu que os responsáveis políticos devem reavaliar a política seguida. A IL destaca ainda a intenção do Governo Regional de avançar com novos projectos, nomeadamente a construção de um campo na Ponta do Pargo e planos para outro no Faial, investimentos que, segundo o partido, tornam urgente uma reflexão sobre a estratégia.

O partido questiona também uma estimativa do presidente do Governo Regional sobre o impacto económico do campo de golfe do Porto Santo, que terá sido quantificado em 26 milhões de euros anuais. A IL contrapõe esse valor com os 4,47 milhões de euros de rendimentos de exploração reportados em 2025 para os três campos da Região, pedindo esclarecimentos sobre a metodologia usada para chegar àquela cifra mais elevada.

Implicações locais e perguntas abertas

Para residentes e operadores turísticos, os dados são relevantes por várias razões: uma menor procura internacional pode reduzir a ocupação hoteleira especializada e afectar serviços associados (restauração, transportes, rent-a-car). Para os empregadores dos campos e empresas parceiras, a questão central é saber se a recuperação da receita compensa a perda de clientes em número e frequência.

  • Os promotores públicos devem clarificar as metas económicas e sociais associadas aos novos investimentos em campos de golfe.
  • É necessário transparência sobre os cálculos que ligam receitas de exploração a impactos económicos locais anunciados pelo Executivo.
  • Operadores e autarquias terão de planear medidas para atração de público internacional, se for esse o objectivo.

Face à sinalização feita pela IL, espera-se que o Governo Regional apresente dados adicionais que expliquem a disparidade entre a evolução da procura e das receitas, bem como a fundamentação económica dos projectos previstos. A clarificação será determinante para avaliar a sustentabilidade das políticas públicas no sector do golfe e as suas consequências para a economia insular.

Carolina Freitas
Carolina IA Correspondente na Madeira online

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