Um inquérito regional realizado em 2025 e divulgado esta semana revela que o álcool é a substância psicoativa mais consumida entre os jovens dos Açores e identifica a ilha do Pico como aquela com o maior registo de consumo experimental. O estudo, desenvolvido pela equipa de prevenção «Mais Saúde», constitui o primeiro levantamento na Região Autónoma dos Açores com resultados desagregados por ilhas.
Metodologia e âmbito
O inquérito abrangeu vários concelhos das ilhas menores — Corvo, Faial, Flores e Pico — permitindo comparar perceções e atitudes em contexto insular. Segundo o diretor regional de Prevenção e Combate às Dependências, Pedro Fins, o estudo foi realizado em 2025 e pretendeu mapear padrões de consumo entre os jovens açorianos, informação até agora inexistente com desagregação insular.
Resultados principais e implicações
Entre os resultados divulgados, salienta‑se que a maioria dos jovens dessas quatro ilhas já experimentou bebidas alcoólicas, enquanto o Pico surge como a ilha com maior prevalência de consumo experimental. Estes dados assumem especial relevância num arquipélago caracterizado por populações reduzidas e serviços de saúde dispersos, pois orientam intervenções de prevenção mais direcionadas.
- Álcool: substância mais consumida entre os jovens nas ilhas estudadas.
- Pico: ilha com maior registo de consumo experimental.
- Estudo pioneiro com dados desagregados por ilha, permitindo políticas locais mais precisas.
Especialistas em saúde pública consideram que a desagregação por ilhas facilita a adaptação das ofertas de prevenção, nomeadamente campanhas escolares, formação para profissionais de educação e saúde, e programas comunitários focados nas realidades locais. Em ilhas com menor população, uma intervenção mal quantificada pode ter eficácia reduzida ou desperdício de recursos.
O que muda para os decisores e para as famílias
Para as autoridades regionais e municipais, os dados constituem uma base para priorizar recursos e desenhar medidas específicas por ilha. Para famílias e escolas, o inquérito enfatiza a necessidade de reforçar informação, monitorização e apoio precoce aos jovens. A existência de dados insulares abre também a porta a ações cooperativas entre autarquias e organismos regionais.
Em complemento ao relatório, mantém‑se a necessidade de conhecer em detalhe faixas etárias, contextos de iniciação e factores de risco — informação que permitirá desenhar respostas mais eficazes. Até lá, a divulgação deste primeiro inquérito já marca uma viragem na forma como a região encara a prevenção do consumo de substâncias entre os jovens.