Em conferência de imprensa realizada em Ponta Delgada, a Juventude Socialista dos Açores voltou a reclamar que o contingente prioritário destinado aos estudantes do arquipélago seja aplicado, de forma excecional, em todas as fases do concurso nacional de acesso ao ensino superior durante este ano. O pedido foi apresentado pelo presidente da JS/Açores, Russell Sousa, que justificou a proposta com as sucessivas falhas na realização e divulgação dos exames nacionais.
Razões invocadas
Segundo o dirigente, os problemas registados — atraso na divulgação de classificações, suspensão de resultados e erros na publicação de notas — criaram uma situação considerada «inédita» e com consequências imediatas para os jovens do arquipélago. Em comunicado citado pelo partido, Russell Sousa alertou para o seguinte:
- existência de atrasos e de resultados inicialmente suspensos;
- erros na publicação de notas que levaram a classificações provisórias incorretas;
- casos em que estudantes receberam inicialmente uma classificação de zero e, com base nessa informação, inscreveram-se na segunda fase;
- impacto acrescido para estudantes açorianos devido à condição ultraperiférica, com custos logísticos e organizacionais adicionais.
“Não podem ser os estudantes açorianos a suportar as consequências de erros pelos quais não têm qualquer responsabilidade”
O pedido da JS assenta no argumento de que a legislação vigente não permite beneficiar do contingente prioritário dos Açores na segunda fase de candidatura, situação que, segundo Russell Sousa, se revela injusta perante as anomalias ocorridas este ano. O dirigente sublinhou que os atrasos forçaram muitos jovens a tomar decisões sobre a participação na segunda fase sem conhecerem o resultado definitivo da primeira, o que obrigou a reorganizações de preparação e percurso académico.
Consequências práticas para as famílias
O argumento do partido realça as implicações concretas para quem vive no arquipélago: um estudante acolhido no ensino superior tem de planear viagens, procurar alojamento, organizar a mudança e suportar maiores custos e incertezas logísticas. A incerteza adicional provocada por atrasos e erros nas classificações traduz-se, conforme defendido pela JS, em mais ansiedade e dificuldades financeiras e organizacionais para os alunos e famílias.
| Problema identificado | Impacto apontado |
|---|---|
| Atrasos na divulgação | Decisões tomadas sem informação definitiva |
| Resultados suspensos | Necessidade de reorganização de provas e candidaturas |
| Erros na publicação de notas | Classificações provisórias incorretas e transtorno para os estudantes |
Na intervenção, foi também recordado que a regra actual — que impede o uso do contingente prioritário na segunda fase de candidatura — já existia, mas que a JS considera os acontecimentos deste ano suficientemente graves para justificar uma medida excecional.
A iniciativa teve lugar em conjunto com elementos do PS/Açores, conforme referido na nota do partido. A proposta da JS coloca agora a questão nas mãos das entidades responsáveis pelo concurso nacional e do Governo regional, esperando-se uma resposta sobre a adoção de medidas compensatórias que garantam igualdade de oportunidade aos estudantes açorianos afetados.
Para as famílias e candidatos, a reivindicação traduz-se numa expectativa clara: que eventuais erros administrativos não se repercutam de forma desproporcionada na trajectória académica e na organização logística de quem parte do arquipélago para prosseguir estudos.