Decisão central sobre exploração do Metro gera críticas nas autarquias do norte metropolitano
O Governo decidiu tornar definitiva a exploração da nova linha do Metropolitano de Lisboa em sistema exclusivamente circular, abandonando a alternativa que contemplava a modalidade em laço. A informação veio a público através do jornal Público, que citou fonte do gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz. A opção suscitou queixas imediatas de autarquias da periferia norte da área metropolitana, com consequências práticas para a circulação de passageiros.
O presidente da Câmara de Odivelas, Hugo Martins (PS), criticou a forma como a decisão foi conhecida, por via de um órgão de comunicação social, quando o município aguardava respostas formais desde novembro de 2025. Para o autarca, a escolha pelo sistema circular é "lesiva" para os habitantes da zona norte e configura uma opção política, dado que, afirmou, existiam condições técnicas para operar em laços.
"É uma forma pouco transparente, e evitável, de se anunciar às pessoas, aos municípios e a todos os interessados uma decisão desta dimensão", afirmou Hugo Martins à agência Lusa.
O presidente da Câmara reiterou que a Linha Circular foi contestada desde o início por vários municípios — nomeadamente Odivelas, Loures e Mafra — e por movimentos de cidadãos e autarcas de Lisboa. Segundo Hugo Martins, a concretização do sistema exclusivamente circular provocará um impacto negativo na população da zona norte, que terá de enfrentar um acréscimo de transbordos e dificuldades de mobilidade.
- Municípios afetados: Odivelas, Loures e Mafra.
- Decisão anunciada via comunicação social, segundo autarquia de Odivelas.
- Autarquias reclamam explicações técnicas e políticas formais ao Governo.
Em reação institucional, Hugo Martins enviou ofícios ao ministro das Infraestruturas, ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), e ao presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, solicitando reuniões para debater a matéria. A autarquia de Odivelas pretende ainda reunir com os grupos parlamentares para obter esclarecimentos e responsabilizações políticas.
| Entidade | Posição / Ação |
|---|---|
| Governo / Ministério | Opção pela exploração exclusivamente circular (segundo Público, citando gabinete do ministro). |
| Câmara de Odivelas | Contestação pública; requerimento de reuniões e pedidos de explicação. |
| Municípios (Loures, Mafra) | Já tinham contestado a linha circular desde o início. |
Para os moradores e utilizadores do metropolitano em Lisboa e na periferia, a definição do traçado operativo e do modo de exploração traduz-se em efeitos concretos: alterações nas rotas de deslocação, número de transbordos necessários e, potencialmente, duração das viagens. A exigência das autarquias por esclarecimentos formais sublinha a necessidade de clarificar se a decisão teve por base apenas motivos políticos ou se resultou de uma revisão técnica que justifique a mudança de modelo inicialmente considerada.
A questão mantém-se aberta quanto a prazos para respostas formais do Ministério e a realização das reuniões solicitadas. Até lá, a incerteza sobre a operação da nova linha persiste como tema de preocupação para os munícipes da zona norte da área metropolitana e para os responsáveis pelo planeamento urbano e de transportes em Lisboa.