Expansão turística bate recordes e altera o perfil do alojamento
A Região Autónoma da Madeira atingiu em 2025 números nunca antes verificados no sector do alojamento turístico coletivo, totalizando 12,7 milhões de dormidas e cerca de 2,4 milhões de hóspedes, segundo dados divulgados pela Direção Regional de Estatística (DREM). Estes valores traduzem aumentos expressivos face ao ano anterior e têm repercussões diretas na economia regional.
O crescimento registado reflete-se também nas receitas: os proveitos totais do alojamento coletivo subiram para 887,1 milhões de euros, enquanto os proveitos relativos a aposento atingiram 637 milhões de euros. Indicadores unitários mostram uma melhoria do desempenho comercial, com o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) a situar-se em 97,03 euros e a tarifa média por quarto ocupado (ADR) em 123,86 euros.
Apesar da hotelaria tradicional continuar a liderar em termos absolutos, com cerca de 8,6 milhões de dormidas e 1,6 milhões de hóspedes, o seu peso dentro do alojamento coletivo sofreu uma redução relativa. Em contrapartida, o segmento do alojamento local evoluiu de forma mais intensa, com um acréscimo de dormidas de 18,7%, totalizando aproximadamente 3,8 milhões de dormidas e aproximando-se de uma quota próxima dos 30% do total.
- Hoteleria: continua a representar a maior parte das dormidas, mas com menor quota percentual.
- Alojamento local: crescimento notório, reforçando-se como alternativa relevante na oferta regional.
- Outros segmentos: turismo em espaço rural e time-sharing mantêm tendência heterogénea, com variações moderadas.
Do ponto de vista do rendimento, os aumentos homólogos são significativos: os proveitos totais cresceram 16,6%, os proveitos de aposento subiram 17,8%, o RevPAR aumentou 16,2% e a ADR apresentou um acréscimo de 13,3%. Estes indicadores apontam para maior procura e/ou melhor posicionamento tarifário por parte dos operadores locais.
"Os dados reflectem uma dinâmica turística que combina recuperação de fluxos e valorização da oferta", afirma a fonte estatística sobre os resultados.
Outros segmentos do alojamento coletivo registaram comportamentos distintos: o turismo em espaço rural e de habitação somou cerca de 288,2 mil dormidas (+4%), enquanto o time-sharing registou uma contracção nas dormidas, com uma descida na ordem dos 8,2% para cerca de 524,5 mil.
| Indicador | 2025 | Variação homóloga |
|---|---|---|
| Dormidas (alojamento coletivo) | 12,7 milhões | +8,3% |
| Hóspedes | 2,4 milhões | +9% |
| Proveitos totais | 887,1 M€ | +16,6% |
Para os residentes e agentes económicos da Madeira, estes resultados têm múltiplas implicações: maior procura implica pressão sobre a capacidade hoteleira e serviços conexos, oportunidades de emprego no turismo e nas actividades auxiliares, assim como desafios em matéria de ordenamento do território, transportes e sustentabilidade ambiental.
O crescimento do alojamento local coloca questões sobre a regulação e a coexistência entre oferta turística e necessidades residenciais, enquanto a valorização das tarifas sugere também um movimento para ofertas de maior valor acrescentado. Autoridades regionais e operadores terão de ponderar estratégias para conciliar crescimento económico com qualidade de vida e preservação dos recursos locais.