Programação pública e reforço do espólio local
O Museu Marítimo de Ílhavo comemorou o seu 89.º aniversário com um programa que decorreu nos dias 7 e 8 de agosto, combinando iniciativas de divulgação histórica e a incorporação de bens artísticos no espólio municipal. As ações realizaram-se em vários espaços do museu e do Centro de Religiosidade Marítima, reforçando a oferta cultural para residentes e visitantes.
Na agenda esteve a apresentação do livro «A Pesca do Bacalhau na Gronelândia: um território por explorar» e a exibição do filme «Pescadores portugueses na Gronelândia», que retomam temas centrais na história marítima local e nas memórias das comunidades piscatórias da região.
Foi inaugurada a exposição temporária «A arte que veio pelo Mar», instalada no Centro de Religiosidade Marítima, que procura estabelecer pontes entre a iconografia marítima e as práticas culturais ilhavenses. A programação pretende atrair públicos diversos e promover o conhecimento sobre a relação entre arte e actividades marítimas na região.
Os Amigos do Museu ofereceram este ano duas obras que passam a integrar o espólio municipal, contribuindo para a valorização do acervo e para a preservação de representações visuais da relação entre Ílhavo e a Ria de Aveiro.
«retratam a relação umbilical do território ilhavense com a Ria de Aveiro»
As duas peças doadas são significativas pelo autor e pela temática. A primeira, “Barcos moliceiros – Aveiro”, do pintor Jaime Isidoro (1924–2009), data de 1946 e consiste num óleo sobre contraplacado, representando moliceiros na ria e ilustrando a fase figurativa inicial do autor. A segunda peça, intitulada “Marinha”, é de Tomaz de Mello Júnior, pintor dos séculos XIX e XX, também em óleo e assinada, onde se destaca o que aparenta ser uma bateira ilhavense.
| Obra | Autor | Ano | Técnica | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Barcos moliceiros – Aveiro | Jaime Isidoro | 1946 | Óleo sobre contraplacado | Representa moliceiros; fase figurativa do autor |
| Marinha | Tomaz de Mello Júnior | séculos XIX/XX | Óleo, assinado | Destaca-se possível bateira ílhava |
Para os ilhavenses, a chegada destas obras reforça a visibilidade da memória marítima local no acervo institucional e oferece novo material para investigação, educação e fruição pública. A exposição temporária e as sessões de divulgação são também momentos de oportunidade para escolas, clubes e associações fortalecerem projetos educativos sobre a marítima tradições da região.
- O aniversário integrou livro, filme e exposição temporária.
- Foram doadas duas obras que passam a fazer parte do espólio municipal.
- A programação pretende valorizar a ligação de Ílhavo à Ria de Aveiro.
O Museu Marítimo mantém-se, assim, como um pólo de salvaguarda e difusão da história local marítima, com impacto direto na oferta cultural do concelho e na preservação de referências visuais essenciais ao património imaterial da comunidade.