Dados oficiais e um novo sistema de bilhética
Os equipamentos culturais sob tutela da Museus e Monumentos de Portugal (MMP) registaram, entre 1 de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, um total de 1.697.223 entradas gratuitas, segundo estatísticas fornecidas à agência Lusa. O período adoptado corresponde à entrada em funcionamento de um novo sistema de bilhética, que a tutela diz permitir uma medição mais fiável das diferentes modalidades de gratuitidade.
Distribuição dos utilizadores
Do total de entradas gratuitas, 1.390.569 (81,93%) foram efectuadas por visitantes nacionais e 306.654 (18,07%) por estrangeiros. No mesmo intervalo temporal, o conjunto de entradas pagas e gratuitas somou 3.951.639 visitas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Entradas gratuitas (total) | 1.697.223 |
| Visitantes nacionais (gratuitas) | 1.390.569 |
| Visitantes estrangeiros (gratuitas) | 306.654 |
| Entradas totais (pagas + gratuitas) | 3.951.639 |
O custo para os cofres públicos
Em audição parlamentar, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, declarou que o regime de gratuitidade “
teve custos, com uma perda de receita associada de 10 milhões de euros”. Esses valores baseiam‑se no número de bilhetes emitidos e não no número de utilizadores únicos, uma distinção importante quando se analisa a utilização repetida das medidas gratuitas.
O caso do programa Acesso 52
Entre as modalidades de gratuitidade figura o programa Acesso 52, lançado em agosto de 2024, cuja revisão foi anunciada nas últimas semanas. Ao contrário das restantes modalidades, o Acesso 52 regista o Número de Identificação Fiscal (NIF) dos beneficiários, permitindo aferir a frequência de utilização por visitante e medir utilizadores únicos em vez de apenas bilhetes emitidos.
Impactos e questões em aberto
As estatísticas divulgadas colocam várias questões sobre a sustentabilidade e o objectivo das políticas de gratuitidade:
- Qual o equilíbrio entre acesso cultural alargado e perda de receita pública?
- Como influenciam estas medidas a gestão de públicos e as potencialidades de atração turística?
- Até que ponto a contabilização por bilhetes distorce a análise do alcance real das iniciativas?
O novo sistema de bilhética promete maior fiabilidade na medição, mas a distinção entre bilhetes emitidos e utilizadores únicos permanece central para avaliar o retorno social e financeiro das gratuitidades. A revisão do Acesso 52 será, nas próximas semanas, um ponto de atenção para entender como o Governo pretende ajustar a política cultural face aos custos identificados.