O festival de música eletrónica conhecido como Neopop celebra duas décadas de existência em Viana do Castelo entre 6 e 8 de agosto e assume, só nesta edição, o seu título de origem: Antipop. Fundado por Raul Duro e colaboradores, o evento regressa aos motivos que o há muito associam a uma cena alternativa e pretende marcar uma distância crítica face à massificação dos grandes festivais.
Retorno às origens e ao ambiente contracultural
Para assinalar os 20 anos, a organização anunciou uma estrutura de três palcos — Neo Stage, Anti Stage e o recém-criado Back Stage — com uma das áreas ocupando as traseiras do Forte de Santiago da Barra, na chamada «Praça da Menina». A opção pelo nome Antipop e pela recuperação de espaços históricos da cidade traduz a intenção de reforçar a identidade inicial do evento como expressão de uma cena mais livre e menos comercializada.
"Somos pessoas muito ligadas à liberdade"
Raul Duro, fundador do festival, tem sublinhado que o Antipop nasceu em 2006 como forma de manifestar uma postura contracultural face a práticas dominantes na música eletrónica. O nome foi alterado em 2009 para Neopop numa tentativa de distensão relativamente a uma conotação de maior radicalismo, mas a edição de 2026 pretende recuperar esse espírito fundador, segundo o promotor.
- Datas: 6 a 8 de agosto
- Local principal: Forte de Santiago da Barra / Praça da Menina
- Palcos: Neo Stage, Anti Stage e Back Stage
- Institucionalidade: 20.º aniversário do festival
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Nome nesta edição | Antipop (edição comemorativa) |
| Fundador | Raul Duro |
| Estrutura | 3 palcos, incluindo novo Back Stage |
Os promotores justificam a nova disposição e o regresso ao nome original como posição contrária à «massificação dos festivais», afirmando que a presente edição pretende valorizar o laço com a música e com a comunidade que a sustenta, mais do que a lógica de entretenimento comercial que tem crescido em alguns eventos do sector. A organização espera atrair milhares de pessoas ao concelho durante os três dias do festival.
Para os residentes e comerciantes de Viana do Castelo, a realização do Antipop/Neopop mantém-se como um acontecimento marcante: dinamiza alojamento, restauração e comércio local, altera a circulação e a utilização de áreas centrais da cidade e coloca Viana no mapa nacional da música eletrónica. A presença do festival em espaços históricos implica também desafios logísticos e de segurança que têm sido discutidos entre entidade promotora e autoridades locais nas últimas edições.
Além do reforço da componente musical, a edição que celebra 20 anos reforça um enquadramento simbólico: recuperar o nome e a identidade inicial é uma tomada de posição sobre o futuro do festival e sobre o papel que pretende ter na paisagem cultural portuguesa. A inclusão de um palco chamado Back Stage responde, ironicamente, à crescente procura por experiências associadas ao «backstage», oferecendo um espaço dedicado a esse interesse do público.
Os habitantes que planeiem deslocar-se ao centro de Viana do Castelo durante os dias de evento devem antecipar constrangimentos no trânsito e na oferta de estacionamento, bem como alterações no funcionamento habitual de serviços e comércio nas imediações do forte e da praça. A programação detalhada e informações práticas sobre bilhetes, horários e acesso deverão ser disponibilizadas pela organização nos canais oficiais do festival.
Esta edição do Antipop/Neopop reafirma a ligação histórica entre a cidade e um festival que, nas duas últimas décadas, tem sido referência na cena eletrónica nacional e que, na sua edição comemorativa, pretende recuperar um fio condutor associado à liberdade e à identidade contracultural.