Dados apontam para forte aumento da mortalidade associado à última vaga de calor
Os registos de mortalidade divulgados no Portal Vigilância da Mortalidade mostram que a recente onda de calor em Portugal poderá ter estado ligada a um acréscimo de 199 óbitos ao longo de cinco dias, face à linha de base calculada com referência aos últimos 20 anos. Na segunda‑feira, em particular, verificou‑se um excesso de mortalidade com 62 mortes acima do valor esperado: ocorreram 336 vítimas quando a previsão indicava 274.
Quem são os mais afetados e onde
A maior parte do excesso de mortalidade concentra‑se entre pessoas com 75 ou mais anos, uma faixa etária que já apresentava excesso de óbitos há três dias consecutivos. Em termos regionais, o Centro apresenta um quadro de mortalidade anormal desde 13 de junho, quase um mês antes do pico térmico, enquanto o Norte e o Alentejo registam excesso desde 2 de julho, por vezes com valores que mais do que duplicam o esperado para a época.
- Período analisado: cinco dias desde a subida das temperaturas a partir de 2 de julho.
- Excesso identificado: 199 óbitos acima da linha de base.
- Grupo mais atingido: pessoas com 75 anos ou mais.
Comparação anual
Os números deste ano também colocam 2026 como o ano com mais óbitos desde 2022. Entre 1 de janeiro e 6 de julho foram contabilizadas 64.172 mortes, valor que excede em 191 o total do mesmo período de 2025 e em 172 o observado em 2024 (ano que teve um dia a mais). Estes dados sublinham uma tendência que exige atenção continuada das autoridades de saúde e proteção civil.
Temperaturas continuam elevadas
O calor mantém‑se: neste dia havia 7 distritos sob aviso laranja e outros 7 sob aviso amarelo, com máximas no interior que podem atingir os 40ºC em várias localidades. O episódio térmico começou a elevar as temperaturas acima dos 40ºC em grande parte do território continental desde 2 de julho.
Implicações e necessidades
O aumento súbito de mortalidade, concentrado sobretudo entre idosos, põe em evidência a necessidade de reforçar medidas de proteção de populações vulneráveis, adequar recursos de saúde e garantir mensagens claras de prevenção durante períodos extremos. O prolongamento do excesso de mortalidade no Centro desde meados de junho também sugere problemas estruturais ou sazonais que exigem investigação e resposta coordenada.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Óbitos na segunda‑feira | 336 (expectável: 274) |
| Excesso total em cinco dias | 199 |
| Mortes entre 1 Jan e 6 Jul 2026 | 64.172 |
Perante estes números, responsáveis de saúde pública e autoridades locais enfrentam o desafio de coordenar respostas imediatas e medidas de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade em futuras vagas de calor.