Ao assinalar o 47.º aniversário, o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) sinalizou uma mudança de prioridade: depois de um ano dedicado à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a instituição quer agora reforçar a sua proximidade com a sociedade, com especial foco na cidade, na região e nas forças locais — empresas, câmaras municipais e entidades civis.
Na ocasião, a presidente do IPC, Cândida Malça, explicou que o primeiro ano de mandato foi dominado pela «urgência e exigência» dos prazos do PRR. Segundo a responsável, com «as metas urgentes cumpridas e a estrutura interna organizada», o Politécnico dispõe agora de «disponibilidade mental» para se voltar para fora e dedicar-se a projectos que envolvam o tecido empresarial e as autarquias.
“as metas urgentes cumpridas e a estrutura interna organizada -, o Politécnico de Coimbra terá a ‘disponibilidade mental’ necessária para se virar para fora.”
No balanço apresentado foram salientados resultados concretos alcançados durante este primeiro ano: uma taxa de aprovação de projectos do PRR próxima dos 100% e a conclusão de obras em residências de estudantes em Coimbra e em Oliveira do Hospital. Estes factos servem, nas palavras da presidência, de base para uma nova fase de intervenção externa.
Prioridades e iniciativas anunciadas
Para o próximo ano lectivo, o IPC definiu como meta responder «mais e melhor» às necessidades do meio económico e institucional da região, privilegiando intervenções através de investigação aplicada e extensão comunitária. Entre as iniciativas já anunciadas destacam-se:
- a construção de um edifício inovador e sustentável no Pólo I para colmatar a falta de espaço da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC);
- a requalificação do património do IPC — incluindo o Chalé do Bispo, a Vinagreira e a Adega na Escola Agrária — para funcionarem como centros de inovação pedagógica e culturais;
- uma aposta contínua em mobilidade e internacionalização, com crescimento no acolhimento e envio de estudantes e investigadores via programas como o Erasmus.
O novo edifício do Pólo I terá uma vocação mista: além de resolver a escassez de espaço lectivo, pretende funcionar como espaço cultural aberto à comunidade — com programações artísticas e de espectáculos — e como abrigo em situações de calamidade. A estratégia sublinha, assim, a dupla função social e pedagógica das infra-estruturas do ensino superior.
| Estado | Intervenção |
|---|---|
| Concluído | Obras em residências de estudantes (Coimbra e Oliveira do Hospital) |
| Planeado | Edifício inovador no Pólo I; requalificação do Chalé do Bispo, Vinagreira e Adega |
Com a alteração do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), o IPC passará a designar-se Universidade Politécnica, uma mudança que enquadra o projecto de expansão e reforço da ligação com a comunidade académica e civil. A presidência sublinhou ainda o empenho em continuar a cumprir os compromissos do PRR, mantendo uma postura aberta à colaboração com actores locais e regionais.
Esta reorientação do IPC evidencia um esforço por transformar ganhos internos — administrativos e estruturais — em respostas externas e em parcerias que possam potenciar desenvolvimento regional através da investigação aplicada, formação e serviços à comunidade.