Política

PS acusa Governo de lucrar com subida dos combustíveis e alerta para apertos às famílias

José Luís Carneiro afirma que o executivo de Luís Montenegro está a “colocar a mão no bolso dos portugueses”, destacando aumentos acumulados desde março e o peso dos impostos nos preços.

PS acusa Governo de lucrar com subida dos combustíveis e alerta para apertos às famílias
©Ilustração IA Mariana Sousa / propagandistasocial.com

PS diz que aumentos dos combustíveis beneficiam o Estado e penalizam famílias

O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, criticou duramente esta sexta-feira o Governo PSD/CDS-PP pela forma como está a reagir ao recente aumento do preço dos combustíveis, considerando que o executivo está a sair beneficiado com o agravamento dos custos suportados pelos cidadãos. As declarações foram proferidas à margem de um encontro com militantes em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

Segundo o dirigente socialista, os consumidores vão enfrentar "a partir de amanhã" uma subida acumulada que, desde o início do conflito no Irão, em março, traduz-se em mais de 44 cêntimos por litro no gasóleo e em mais de 30 cêntimos por litro na gasolina. Carneiro afirmou ainda que, desse aumento, uma parte significativa resulta de impostos que, no seu entendimento, fazem com que o Estado acabe por lucrar com os sacrificios impostos às famílias.

"O Governo, a partir de amanhã [segunda-feira], vai ganhar mais de nove cêntimos só de impostos no que respeita ao gasóleo e mais de seis cêntimos no que respeita à gasolina"

O líder do PS realçou ainda outro dado de dimensão orçamental: desde que o atual executivo tomou posse, há dois anos, os portugueses já pagaram mais de 1.048 milhões de euros em impostos sobre os combustíveis, segundo referiu. Carneiro aproveitou para vincar que as famílias estão a ser asfixiadas por um conjunto de fatores — do acréscimo do custo de vida às rendas e aos transportes — que concorrem para uma perda de poder de compra.

O socialista lembrou propostas já apresentadas pelo PS na Assembleia da República, que visavam aliviar temporariamente a carga fiscal sobre os combustíveis, propostas essas que, segundo ele, foram chumbadas por partidos como o Chega, a Iniciativa Liberal e a AD. Carneiro apelou ao executivo para a concretização de medidas «temporárias e adequadas» que respondam às necessidades imediatas das famílias e das empresas.

  • Reivindicação central: Governo a lucrar com aumentos dos combustíveis.
  • Impacto apontado: famílias em dificuldades devido ao aumento do custo de vida.
  • Proposta política: redução temporária de impostos sobre combustíveis, já apresentada e chumbada no parlamento.
Item Valor referido
Aumento acumulado desde março (gasóleo) +44 cêntimos por litro
Aumento acumulado desde março (gasolina) +30 cêntimos por litro
Imposto adicional alegado pelo Governo +9 cêntimos (gasóleo); +6 cêntimos (gasolina)
Total de impostos desde a tomada de posse do Governo 1.048 milhões de euros

Do lado do Governo, e apesar das críticas, as reações oficiais têm insistido na necessidade de acompanhar a evolução dos mercados energéticos e de avaliar a pertinência de intervenções públicas. Nas últimas declarações públicas do executivo sobre o tema, o foco tem passado por monitorizar a situação e ponderar medidas caso se mostrem justificadas.

Num contexto em que o preço dos combustíveis influencia diretamente os custos de transporte, produção e, por via disso, os preços de bens essenciais, a questão volta a colocar na agenda política o dilema entre manutenção de receitas fiscais e medidas de compensação social. A insistência do PS em propostas de redução temporária de impostos coloca assim pressão sobre o Governo para clarificar opções e justificar a sua estratégia perante uma opinião pública sensível ao aumento generalizado dos preços.

O debate deverá prosseguir nas próximas semanas, tanto no Parlamento como em fóruns públicos, com partidos e agentes económicos a acompanhar atentamente qualquer proposta de intervenção ou incentivo que vise mitigar o impacto imediato sobre famílias e empresas.

Mariana Sousa
Mariana IA Editora de Política online

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