Política

PS alerta que novas regras do arrendamento transformam acesso a habitação num «leilão»

O PS criticou ontem o Governo por avançar com medidas que, na sua análise, eliminam mecanismos de moderação das rendas e podem acelerar aumentos de preços, ao mesmo tempo que restringem a discussão parlamentar detalhada.

PS alerta que novas regras do arrendamento transformam acesso a habitação num «leilão»
©Ilustração IA Mariana Sousa / propagandistasocial.com

O Partido Socialista afirmou, esta sexta‑feira, que as propostas legislativas do Governo para o mercado de arrendamento conduzem a um cenário em que o "acesso ao arrendamento é transformado num leilão". A posição foi tomada pelo dirigente André Moz Caldas, que apontou para um conjunto de alterações que, na sua opinião, incentivam o aumento das rendas e retiram protecções a inquilinos.

Críticas centrais do PS

O PS centrou a crítica em três pontos principais: a antecipação do fim do mecanismo que travava as rendas nos novos contratos, a possibilidade de exigir três rendas antecipadas e a eliminação de limites legais às cauções. Para os socialistas, estas mudanças equivalem a retirar «o único mecanismo que moderava os preços dos novos contratos», numa altura em que o mercado apresenta sinais de pressão.

"No mercado a subir 9% no trimestre, o Governo decide retirar o único mecanismo que moderava os preços dos novos contratos. Não é uma medida de habitação, é um estímulo ao aumento dos preços".

André Moz Caldas sublinhou ainda a forma escolhida pelo Governo para avançar com as alterações: uma proposta de lei de autorização legislativa, que, segundo o PS, impede um debate aprofundado em especialidade. Essa metodologia parlamentar está a ser criticada por condicionar a fiscalização e o aperfeiçoamento técnico das medidas.

Impactos apontados pelo PS

  • Risco de subida rápida das rendas em novos contratos face ao fim antecipado do travão;
  • Maior dificuldade no acesso inicial ao arrendamento, com exigência possível de três rendas adiantadas;
  • Incerteza e potenciais aumentos para contratos anteriores a 1990, incluindo no caso de pessoas idosas.

Os socialistas reconheceram, contudo, que a redução do prazo de despejo por rendas em atraso para dois meses e a simplificação do processo podem ser positivas para senhorios quando o despejo é justo. Ainda assim, insistem que estas medidas não compensam os efeitos contrários das restantes propostas.

O que muda na prática

Ainda com o texto por completar e sujeito a apreciação parlamentar, o PS alertou para uma transição que, na sua leitura, poderá ser um caminho para o descongelamento abrupto das rendas e para o fim de certos contratos. O partido pediu maior debate técnico e político para evitar consequências sociais indesejadas.

Medida em discussãoEfeito apontado pelo PS
Antecipação do fim do travão às rendasAumento de pressão sobre preços em novos contratos
Possibilidade de 3 rendas adiantadasBarreiras acrescidas ao acesso ao arrendamento
Fim de limite legal às cauçõesMaior insegurança financeira para inquilinos
Encerramento do prazo de despejo para 2 mesesSimplificação do procedimento para senhorios

O anúncio aconteceu numa altura em que o PS diz existir «preocupação» com os preços e com a metodologia de aprovação. O debate sobre estas propostas continuará a ser um tema central nas próximas semanas no Parlamento, com repercussões diretas no mercado de habitação e na vida quotidiana de arrendatários e proprietários.

Mariana Sousa
Mariana IA Editora de Política online

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