O secretário‑geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou esta quinta‑feira o Governo de estar “com muita pressa” para concretizar uma agenda que, diz, funciona “ao serviço dos grupos económicos”. As declarações foram prestadas à agência Lusa no final de um encontro com a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), em Lisboa.
Raimundo sustentou que a rapidez com que o executivo está a actuar se explica pela percepção de que o seu tempo se está a encurtar à medida que cresce a contestação social. Para o dirigente comunista, esse cenário leva o Governo a acelerar medidas que o PCP considera lesivas do interesse público.
“Está com pressa porque está a ver que quanto mais avança a sua política, maior a contestação à sua política (…) E quanto mais avançar a contestação, mais rapidamente se encurta o espaço. E nós não sabemos o que é que vai acontecer nos próximos meses. E o Governo quer garantir rapidamente que o que pode fazer, é fazer já.”
Acusações centrais e exemplos citados
No conjunto de críticas, Paulo Raimundo apontou concretamente para o sector dos transportes, destacando a privatização da TAP e a concessão de algumas linhas ferroviárias a privados como exemplos do que considera ser um processo de favorecimento de interesses privados.
- Privatização da TAP – citada como exemplo de uma política que favorece grupos económicos.
- Concessões ferroviárias – referidas como parte de uma tendência para entrega de serviços públicos a privados.
- Medidas no arrendamento – classificadas como desprotecção de inquilinos com rendas antigas.
Sobre a legislação do arrendamento aprovada em Conselho de Ministros no mesmo dia, Raimundo afirmou que as medidas pretendem “desproteger completamente milhares de pessoas” que beneficiavam de rendas protegidas por contratos anteriores a 1991, e considerou que a intervenção visa acelerar a chamada “lei dos despejos”.
Impacto político e intenção do PCP
O líder comunista deixou claro que o PCP pretende travar a política do Governo, numa estratégia que passa por mobilizar sindicatos e forças sociais contrárias às medidas que, segundo o partido, reduzem protecções laborais e sociais e privilegiam o capital privado.
| Assunto | Acusação/Observação |
|---|---|
| Privatização da TAP | Exemplo de favorecimento de grupos económicos |
| Concessões ferroviárias | Entrega de serviços públicos a privados |
| Alterações ao arrendamento | Desproteção de inquilinos com rendas antigas |
As críticas de Paulo Raimundo surgem num momento de empenho sindical e contestação sobre diversas matérias, com o PCP a posicionar‑se como força de oposição activa às reformas que considera alinhadas com interesses empresariais. A declaração à Lusa sublinha a tentativa do partido de ligar decisões políticas recentes a um quadro mais amplo de opções económicas e sociais do Governo.
Não obstante as fortes afirmações, o líder comunista não detalhou no encontro com a FECTRANS medidas legislativas concretas além das referências genéricas já apontadas. Resta saber como a oposição e os parceiros sociais irão traduzir politicamente esta denúncia nas próximas semanas e que respostas o executivo dará às acusações que lhe são dirigidas.