Missão senegalesa chega a Bissau com mandato da CEDEAO
Uma delegação do Senegal, chefiada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, deslocou-se esta sexta-feira a Bissau para entregar às autoridades guineenses um plano de mediação no seguimento do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025. O anúncio foi feito publicamente depois de encontros com os responsáveis do regime militar e do executivo de transição.
Objectivos e contactos diplomáticos
Segundo informações divulgadas pelos meios locais, a missão incluiu também o ministro da Defesa senegalês. Os encontros abrangeram o líder da Junta Militar que tomou o poder, o general Horta Inta-a, o primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Fatumata Jau.
“Viemos anunciar oficialmente ao Presidente, Horta Inta-a, a decisão tomada pela cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO (…) de designar o Senegal como mediador da crise na Guiné-Bissau”, declarou o ministro senegalês.
A diplomacia senegalesa apresentou um plano que deverá ser implementado por fases, com o objetivo explícito de assegurar a realização do calendário eleitoral já estabelecido para o país.
Calendário eleitoral em risco e processos constitucionais
O regime militar suspendeu as actividades dos partidos de oposição e substituiu o Parlamento por um Conselho Nacional de Transição. Uma das resoluções desta nova liderança foi alterar a Constituição, reforçando os poderes do Presidente. Está igualmente marcado um referendo popular para o dia 30, data em que os guineenses serão chamados a pronunciar-se sobre a nova Carta.
| Data | Evento |
|---|---|
| 26 de novembro de 2025 | Golpe de Estado e tomada do poder pelos militares |
| 30 | Referendo sobre a nova Constituição |
| 6 de dezembro | Eleições legislativas e presidenciais marcadas |
- Missão senegalesa atua no quadro da presidência da CEDEAO e com mandato regional.
- A intenção declarada é garantir o cumprimento do calendário eleitoral.
- As mudanças constitucionais promovidas pelo Conselho de Transição alteram o equilíbrio de poderes.
Fatumata Jau, ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, sublinhou publicamente o compromisso do país em cumprir o cronograma estabelecido para as eleições previstas a 6 de dezembro. A declaração aponta para uma vontade oficial de manter as datas, apesar das rupturas institucionais e das restrições impostas ao espaço partidário.
O desenvolvimento coloca a CEDEAO e o Senegal numa posição delicada: terão de equilibrar a pressão pela restauração das instituições democráticas, a gestão das relações com a junta militar e a necessidade de evitar uma escalada que possa desestabilizar ainda mais a região. O sucesso do plano de mediação dependerá da aceitação, por parte da liderança militar e das forças políticas, das etapas e garantias que forem propostas e negociadas nas próximas semanas.