Diagnóstico: a transformação digital ainda está longe de ser generalizada
Um estudo encomendado pela ManageEngine e realizado pela Censuswide com 1.000 executivos e gestores de tecnologia em cinco países da região revela que apenas 14% das organizações atingiram um estágio considerado avançado de transformação digital, em que sistemas integrados funcionam com agentes autónomos de inteligência artificial.
A maioria das empresas continua a conviver com plataformas e infraestruturas fragmentadas, o que limita tanto a automação de processos como a conversão de investimentos tecnológicos em resultados de negócio mensuráveis. Segundo o levantamento, 61% das empresas operam em estruturas fragmentadas, com coexistência de sistemas legados e serviços em nuvem pouco integrados. Por outro lado, 25% relatam trabalhar num modelo centrado em plataformas unificadas.
Automação e progresso gradual
O ritmo de automação também é desigual: em média, apenas 45% dos processos críticos estão totalmente automatizados. Quase metade dos entrevistados indica que entre 26% e 50% das actividades essenciais já correm sem intervenção manual, o que mostra espaço significativo para expansão.
- 14% das empresas: estágio avançado com IA orquestradora;
- 25%: plataformas unificadas;
- 61%: ambientes fragmentados.
No Brasil, o estudo aponta um desempenho um pouco melhor na adopção de plataformas integradas, com 32% das empresas nacionais a declararem esse modelo.
Principais obstáculos identificados
Os inquiridos destacaram problemas de infraestrutura como as barreiras mais frequentes à transformação digital:
- 32% indicaram preocupações com a segurança em ambientes cada vez mais complexos;
- 26% referiram o controlo dos custos de infraestrutura;
- 25% apontaram a complexidade na gestão e armazenamento de dados;
- 25% assinalaram dificuldades na integração entre ambientes híbridos e multinuvem;
- 23% consideraram a dificuldade em comprovar o retorno financeiro dos investimentos digitais.
Quando questionados sobre as razões pelas quais as iniciativas digitais falham em alcançar os resultados esperados, 37% dos entrevistados culpam limitações da infraestrutura, 36% referem falta de colaboração entre áreas e 34% apontam restrições orçamentais.
| Indicador | Percentagem |
|---|---|
| Empresas em estágio avançado com IA | 14% |
| Ambientes fragmentados | 61% |
| Plataformas unificadas | 25% |
| Média de processos críticos totalmente automatizados | 45% |
Os números descrevem um panorama em que a tecnologia por si só não é suficiente: a integração de sistemas, a modernização da infraestrutura, a governação de dados e o alinhamento entre áreas são condicionantes centrais para que a inteligência artificial e a automação tragam ganhos reais de produtividade.
A evidência reunida pelo inquérito sugere que empresas, fornecedores e decisores públicos terão de priorizar investimentos não apenas em ferramentas, mas em arquitectura, segurança, formação e modelos de governação que permitam integrar componentes legados com serviços emergentes em nuvem. Só assim será possível reduzir a lacuna entre experimentação e adopção massiva com impacto mensurável nos resultados.
O estudo serve como alerta: há vontade de avançar, mas persistem limitações técnicas e organizacionais que condicionam a transição para operações orquestradas por inteligência artificial.