Decisão governamental e calendário
A secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, afirmou esta quarta-feira que a subconcessão da Linha de Cascais "não oferece qualquer dúvida de que vai mesmo avançar". A definição das linhas a incluir no processo deverá ficar concluída em setembro, segundo a responsável, no âmbito da audição regimental na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.
O que muda para os passageiros de Cascais
O processo de subconcessão pretende cumprir regulamentos europeus que obrigam à abertura gradual do mercado ferroviário. Para os utentes da Linha de Cascais, a alteração pode traduzir-se, no futuro, em mudanças na operação quotidiana — desde a gestão de horários até à eventual presença de operadores privados sob contrato — mas o Governo garante que não se perderá o controlo da matriz de referência do serviço.
- Setembro: definição das linhas a subconceder.
- Objetivo: abertura gradual do mercado sem perda de controlo público.
- CP: manter-se-á como gestora dos contratos e irá aprender a operar no novo modelo.
"A subconcessão é a figura que permite esta abertura gradual sem perda de controlo" — Cristina Pinto Dias
Na audição, a governante sublinhou que a subconcessão será gerida por uma unidade técnica (UTAP) e por uma comissão de negociação que incluirá elementos da CP. A ideia apresentada pelo Executivo passa por usar a figura jurídica para compatibilizar obrigações europeias com a necessidade de manter uma referência pública no sistema ferroviário.
| Evento | Data |
|---|---|
| Definição das linhas a subconceder | Setembro |
Para os moradores e trabalhadores que diariamente utilizam a Linha de Cascais, as consequências imediatas prendem-se sobretudo com a clarificação do quadro institucional: quem fará a gestão dos contratos, como serão definidos os padrões mínimos de serviço e que mecanismos de fiscalização pública serão aplicados. A secretária de Estado deixou claro que a CP continuará a focar-se em áreas estratégicas, como a alta velocidade, ao mesmo tempo que se prepara para gerir contratos com operadores privados.
O processo anunciado espelha uma tentativa do Governo de transitar de um modelo mais protecionista para outro em que o mercado é progressivamente aberto, sem, porém, abdicar do papel regulador e de referência do Estado. A forma concreta como essas garantias serão escrituradas nos contratos e asseguradas em Cascais será determinante para a perceção pública e para a qualidade do serviço prestado.