A tecnologia surge agora como o factor mais determinante para a saúde organizacional a nível global, segundo o Monitor Global de Liderança da consultora Russell Reynolds. No horizonte de prioridades das lideranças empresariais, a evolução tecnológica ultrapassou outras preocupações que vinham a dominar a agenda nos últimos anos.
O relatório aponta que 63% dos gestores identificam o avanço tecnológico como a força organizacional mais impactante — um lugar antes ocupado pela incerteza do crescimento económico, que caiu para 57%. No Brasil, pela primeira vez, a atenção atribuída à tecnologia iguala a média mundial, ilustrando que as empresas locais já não observam a transformação de fora, mas experienciam-na com a mesma intensidade das congéneres internacionais.
Confiança e execução: a lacuna que persiste
Apesar do reconhecimento da tecnologia como prioridade, a confiança das lideranças na capacidade de execução continua limitada. Globalmente, o índice de confiança subiu de 44% para 51% entre semestres; no Brasil, o avanço foi de 31% para 42%, mostrando progressos, mas ainda longe da adesão plena.
"O desafio agora é transformar essa urgência em capacidade real de execução, porque a percepção de prioridade avançou muito mais rápido do que a confiança das lideranças em suas próprias equipes para entregar essas mudanças", afirma Flávia Leão, sócia-diretora da Russell Reynolds e Country Manager no Brasil.
Além da tecnologia, o estudo destaca outros factores que compõem o topo das preocupações das organizações: incertezas geopolíticas, disponibilidade de talentos e a transformação da força de trabalho perante novas ferramentas digitais.
- Urgência em integrar tecnologia na estratégia organizacional;
- Deficit de confiança na capacidade de implementação das mudanças;
- Riscos externos (geopolíticos e económicos) continuam a pesar nas decisões.
| Indicador | Percentagem |
|---|---|
| Tecnologia como principal factor | 63% |
| Incerteza do crescimento económico | 57% |
| Confiança global na execução (último semestre) | 51% |
| Confiança no Brasil (último semestre) | 42% |
Para as empresas portuguesas, o relatório funciona como um alerta: reconhecer a tecnologia como prioridade é o primeiro passo, mas a travessia para resultados concretos exige investimento em competências, processos e modelos de governação que transformem intenção em entrega.
Sem essa tradução em capacidade operativa, as organizações arriscam acomodar a tecnologia numa lista de preocupações em vez de convertê‑la numa vantagem competitiva sustentável.