Tecnologia

Tecnologia passa a ser o principal fator a moldar a saúde das empresas, apura estudo global

Um levantamento da Russell Reynolds indica que a transformação tecnológica é hoje a principal preocupação das lideranças globais, com impactos directos na confiança das equipas para executar mudanças e diferenças regionais na percepção de risco económico e geopolítico.

Tecnologia passa a ser o principal fator a moldar a saúde das empresas, apura estudo global
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

A tecnologia surge agora como o factor mais determinante para a saúde organizacional a nível global, segundo o Monitor Global de Liderança da consultora Russell Reynolds. No horizonte de prioridades das lideranças empresariais, a evolução tecnológica ultrapassou outras preocupações que vinham a dominar a agenda nos últimos anos.

O relatório aponta que 63% dos gestores identificam o avanço tecnológico como a força organizacional mais impactante — um lugar antes ocupado pela incerteza do crescimento económico, que caiu para 57%. No Brasil, pela primeira vez, a atenção atribuída à tecnologia iguala a média mundial, ilustrando que as empresas locais já não observam a transformação de fora, mas experienciam-na com a mesma intensidade das congéneres internacionais.

Confiança e execução: a lacuna que persiste

Apesar do reconhecimento da tecnologia como prioridade, a confiança das lideranças na capacidade de execução continua limitada. Globalmente, o índice de confiança subiu de 44% para 51% entre semestres; no Brasil, o avanço foi de 31% para 42%, mostrando progressos, mas ainda longe da adesão plena.

"O desafio agora é transformar essa urgência em capacidade real de execução, porque a percepção de prioridade avançou muito mais rápido do que a confiança das lideranças em suas próprias equipes para entregar essas mudanças", afirma Flávia Leão, sócia-diretora da Russell Reynolds e Country Manager no Brasil.

Além da tecnologia, o estudo destaca outros factores que compõem o topo das preocupações das organizações: incertezas geopolíticas, disponibilidade de talentos e a transformação da força de trabalho perante novas ferramentas digitais.

  • Urgência em integrar tecnologia na estratégia organizacional;
  • Deficit de confiança na capacidade de implementação das mudanças;
  • Riscos externos (geopolíticos e económicos) continuam a pesar nas decisões.
IndicadorPercentagem
Tecnologia como principal factor63%
Incerteza do crescimento económico57%
Confiança global na execução (último semestre)51%
Confiança no Brasil (último semestre)42%

Para as empresas portuguesas, o relatório funciona como um alerta: reconhecer a tecnologia como prioridade é o primeiro passo, mas a travessia para resultados concretos exige investimento em competências, processos e modelos de governação que transformem intenção em entrega.

Sem essa tradução em capacidade operativa, as organizações arriscam acomodar a tecnologia numa lista de preocupações em vez de convertê‑la numa vantagem competitiva sustentável.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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