Resumo do estudo e principais conclusões
Um estudo divulgado pelo CEPR conclui que o recurso espontâneo a ferramentas de inteligência artificial (IA) para resolver trabalhos de casa está associado a uma redução substancial do desempenho escolar em adolescentes. A investigação acompanhou mais de 25.000 alunos chineses, com idades entre 12 e 18 anos, ao longo de 30 meses (setembro de 2022 a junho de 2025), período em que vários modelos comerciais — incluindo os lançados pela DeepSeek e pela ByteDance — foram rapidamente adoptados.
Os autores do estudo, o economista sueco David Strömberg e os investigadores Victor Lei e Yanhui Wu, constataram que os alunos que começaram a delegar tarefas escolares à IA apresentaram, em média, notas 20% inferiores seis meses após o início do uso, em comparação com colegas que nunca utilizaram IA para as tarefas.
Impacto por áreas disciplinares
Os efeitos variaram entre domínios: as disciplinas de humanidades registaram a pior queda, com uma redução de 27%; seguem-se as exatas, com 22%; e as línguas, onde o desempenho em inglês caiu 17% e em chinês 9%. O estudo avaliou mensalmente um conjunto de nove disciplinas e considerou também o comportamento face às provas regulares que esses estudantes realizam mensalmente.
Método e alcance
A investigação acompanhou padrões de uso de ferramentas de IA e o desempenho em provas ao longo de dois anos e meio, aproveitando a adopção rápida de modelos locais com capacidades comparáveis a ferramentas ocidentais. O trabalho foi divulgado pelo CEPR e ainda não foi publicado numa revista científica revista por pares.
- População estudada: >25.000 alunos chineses, 12–18 anos.
- Período de observação: setembro de 2022 a junho de 2025 (30 meses).
- Tempo até efeito observado: diferenças medidas seis meses após início do uso de IA.
O que significa para pais, escolas e decisores
Os resultados sugerem que o uso não regulado de IA para realizar trabalhos pode comprometer a aprendizagem efectiva, com impactos mensuráveis e rapidamente observáveis nas avaliações. Para pais e encarregados de educação, isto aponta para a necessidade de supervisão e de práticas orientadas para que os estudantes utilizem a IA como ferramenta suplementar e não como substituto do esforço cognitivo.
Para escolas e responsáveis políticos, o estudo reforça a urgência de delinear orientações claras sobre o uso de IA em casa e na escola, programas de literacia digital que enfatizem competências metacognitivas e avaliações que distingam a compreensão real da simples reprodução de respostas geradas por modelos.
Limitações e cautelas
Importa notar que o estudo foi divulgada pelo CEPR e ainda não passou por revisão por pares, condição que limita a interpretação imediata dos resultados. Além disso, os dados referem‑se a um contexto específico — alunos na China durante uma fase de introdução de plataformas locais — pelo que as conclusões não são automaticamente extrapoláveis a outros sistemas educativos sem análise adicional.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Dimensão da amostra | >25.000 alunos |
| Período observado | 30 meses (set/2022–jun/2025) |
| Queda média nas notas | 20% (seis meses após início do uso) |
| Queda por áreas | Humanidades 27%, Exatas 22%, Inglês 17%, Chinês 9% |
O estudo coloca questões práticas imediatas sobre como integrar novas tecnologias nas trajectórias educativas sem sacrificar o desenvolvimento de competências fundamentais. Famílias, escolas e autoridades educativas vão, provavelmente, ter de ajustar políticas e práticas para garantir que a IA potencie e não substitua a aprendizagem.