Um marco cultural que moldou o território
A Viagem Medieval em Terra de Santa Maria assinala em 2026 os 30 anos de existência, confirmando-se como um dos eventos identitários mais significativos de Santa Maria da Feira. Originada em 1996 a partir do próprio enquadramento do castelo, a iniciativa converteu-se numa recriação histórica de grande escala que transforma, por doze dias consecutivos, o centro histórico e a área envolvente do castelo num palco vivo com actuações, recriações e cenografia.
Ao longo do festival realizam-se cerca de 80 espectáculos diários, que envolvem mais de 2 000 participantes — entre artistas, técnicos, associações e voluntários — e mobilizam uma ampla logística local. Esta dinâmica anual obriga à concepção constante de novos cenários e enredos, dado que cada edição recria um período distinto da Idade Média portuguesa.
Impacto económico e envolvimento da comunidade
Para além da dimensão cultural, a Viagem Medieval afirma-se como um motor económico do concelho. A organização estima um impacto directo na ordem dos 15 a 20 milhões de euros por edição. Este fluxo traduz-se não só em ocupação hoteleira e consumo local, mas também em oportunidades para comerciantes, restauração e serviços associados ao turismo de evento.
Um dos traços mais destacados do festival é o seu carácter comunitário: cerca de 90% dos participantes são oriundos do próprio território. Associações culturais, grupos de teatro, escolas e voluntários locais contribuem para a realização, o que reforça o sentimento de pertença e a visibilidade do concelho.
- Duração anual: 12 dias
- Espetáculos diários: cerca de 80
- Participantes envolvidos: mais de 2 000
- Impacto económico estimado: 15–20 milhões €
- Percentagem local entre participantes: 90%
"A conquista da Viagem é uma conquista da cultura, do entretenimento, mas, acima de tudo, da identidade e do usufruto de uma comunidade inteira", afirmou Paulo Sérgio Pais, diretor executivo da Feira Viva e da Viagem Medieval.
A participação dos residentes vai além do recinto: moradores e comerciantes envolvem-se na preparação da cidade, decorando fachadas e respondendo aos desafios de ambientação que o evento propõe. Esse envolvimento externo contribui para a experiência global dos visitantes e projeta uma imagem coletiva do concelho.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Duração | 12 dias |
| Espectáculos/dia | ~80 |
| Participantes | >2 000 |
| Impacto económico | 15–20 milhões € |
Na prática, a Viagem Medieval funciona como vitrina e laboratório cultural para o concelho: estimula a economia local durante a sua realização, impulsiona a actividade das coletividades e projeta Santa Maria da Feira além-fronteiras. A renovação anual dos temas e a exigência de inovação cénica asseguram que o festival continue a atrair público repetido e novo, mantendo a sua relevância tanto para os visitantes como para os residentes.
Com três décadas de percurso, a Viagem Medieval consolidou-se como um fenómeno que ultrapassa o mero entretenimento: é uma construção colectiva que ajuda a definir a imagem pública e interna do concelho, com efeitos reais na economia local e na coesão comunitária.