A integração da inteligência artificial (IA) nas empresas deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a exigir estruturas de governação, responsabilidades definidas e métricas claras para demonstrar resultados e gerir riscos. É essa a mensagem central dos responsáveis da Grant Thornton Brasil, a partir do AI Impact Survey 2026.
Resultados que realçam a importância da governação
O estudo revela vantagens palpáveis para organizações que já implementaram a IA de forma consolidada: empresas com a tecnologia totalmente integrada têm quase 4 vezes mais probabilidade de reportar crescimento de receita comparativamente às que permanecem em fase piloto. Entre as que avançaram, ficaram evidenciados os seguintes ganhos:
- 58% reportam crescimento de receita;
- 81% apontam aumento de eficiência;
- 64% observam maior qualidade dos resultados;
- 59% registam aceleração da inovação.
Para Maikon Silva, sócio de Risk da Grant Thornton Brasil, estes números não nascem apenas da tecnologia em si, mas da forma como as organizações definem controles, responsabilidades e critérios de medição.
“Quando uma empresa passa a usar modelos para apoiar decisões, automatizar processos ou gerar recomendações, ela também precisa definir responsabilidades, controles e critérios claros de mensuração.”
Da execução à responsabilização
O relatório e a análise de Silva sublinham que a maturidade na adopção de IA se mede mais pela capacidade de provar que as iniciativas funcionam — de maneira segura, mensurável e sustentável — do que pelo número de projetos em curso. Perguntas práticas ajudam a solidificar essa maturidade: quem responde pelos resultados? Como se mede o ROI? Onde a IA pode atuar autonomamente? O que ocorre se um sistema falhar?
Segundo o especialista, a governação não deve ser encarada como um entrave à inovação. Pelo contrário, estruturas de controlo bem desenhadas permitem escalar com confiança, interromper iniciativas que não geram valor e documentar salvaguardas que reduzem a exposição a falhas e litígios.
Implicações práticas para empresas
De forma prática, as conclusões apontam para um conjunto de prioridades para organizações que queiram avançar com IA de forma robusta:
- Estabelecer responsáveis formais pelos resultados das soluções de IA;
- Definir métricas e processos de validação do impacto e do ROI;
- Implementar controlos técnicos e organizacionais que permitam auditar decisões automatizadas;
- Documentar procedimentos para interrupção ou revisão de modelos que não atinjam objetivos.
| Indicador | Organizações com IA integrada |
|---|---|
| Crescimento de receita | 58% |
| Aumento de eficiência | 81% |
| Melhoria da qualidade | 64% |
| Aceleração da inovação | 59% |
O balanço é claro: a adopção de IA traz benefícios mensuráveis, mas para os transformar em vantagem competitiva sustentável as empresas precisam de combinar tecnologia com boas práticas de governação. O desafio passa por institucionalizar processos que tornem as iniciativas transparentes, responsáveis e auditáveis — condições essenciais para escalar a utilização de IA sem sacrificar confiança ou conformidade.