Bloco denuncia bloqueio de medidas sociais na reunião de câmara
A Distrital de Lisboa do Bloco de Esquerda afirmou, em comunicado, que o presidente da Câmara, Carlos Moedas, e o vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, chumbaram um pacote de 25 medidas destinadas a apoiar famílias que enfrentam um aumento do custo de vida na cidade.
Segundo o comunicado dos bloquistas, a proposta incluía também a abertura de uma mercearia pública em Lisboa, instrumento que o partido considera um mecanismo importante para tornar um cabaz alimentar mais acessível a famílias com menores recursos. Os responsáveis do Bloco recordam que medidas semelhantes já tinham sido aprovadas em 2022, no contexto da crise provocada pela guerra na Ucrânia.
"é chocante que Carlos Moedas não queira avançar com estas medidas, mais ainda porque são as mesmas que aprovou em 2022"
O Bloco sustenta que o chumbo surge num momento em que a pressão sobre as famílias de classe média e de menores recursos se tem acentuado pelo aumento do custo de vida. Para aquele partido, a recusa das propostas significa uma perda de oportunidades para aliviar encargos diários de muitas pessoas e lares na cidade.
Críticas ao Programa Menos Ruído e questões sobre o estacionamento
Para além do pacote social, o Programa Menos Ruído — desenhado pelo executivo municipal — também mereceu críticas por parte do Bloco de Esquerda. No entendimento do partido, a proposta operacionaliza medidas do Governo que, na prática, “favorecem” a concessionária do aeroporto, a ANA, em detrimento dos munícipes afetados pelo ruído.
O Bloco justificou a sua posição referindo que a proposta transfere para o Estado responsabilidades que, na opinião do partido, caberiam à ANA, nomeadamente a colocação de janelas insonorizadas nas habitações mais afectadas.
Outro ponto de contestação prende-se com as medidas previstas para o estacionamento na cidade: os bloquistas classificam as alterações como orientadas sobretudo para a “necessidade de arrecadação de receitas” e não para políticas de mobilidade com benefícios claros para os residentes.
- Medidas sociais: 25 propostas para apoio a famílias, incluindo a criação de uma mercearia pública.
- Programa Menos Ruído: crítica por, alegadamente, proteger interesses da concessionária aeroportuária.
- Estacionamento: preocupação de que alterações visem apenas aumentar receitas municipais.
| Actor | Posição |
|---|---|
| Bloco de Esquerda (Distrital de Lisboa) | Critica o chumbo das medidas e absteve-se na proposta sobre ruído |
| Executivo Municipal (liderado por Carlos Moedas) / Vereador Bruno Mascarenhas | Votaram contra o pacote de apoio às famílias (segundo o BE) |
Da nota do Bloco resulta ainda que o partido se absteve na proposta relativa à mitigação do ruído do aeroporto, indicando desacordo com uma solução que considera insuficiente para reparar o alegado incumprimento da concessionária e que, na prática, penaliza as populações urbanas mais expostas.
Para os lisboetas, as decisões agora tomadas no plenário municipal colocam no centro do debate questões de justiça social, planeamento urbano e prioridades orçamentais. A falta de consenso em torno dessas matérias anuncia contornos políticos acesos para os próximos debates na autarquia, com impacto direto sobre políticas de apoio social, qualidade de vida e gestão do espaço público.