Economia Funchal Madeira

Comercialização da banana na Madeira cai quase 20% no primeiro semestre

A venda de banana fixou-se em 7,9 mil toneladas no primeiro semestre, com grande influência de condições climatéricas adversas e uma menor saída para o mercado continental.

Comercialização da banana na Madeira cai quase 20% no primeiro semestre
©Ilustração IA Carolina Freitas / propagandistasocial.com

A comercialização da banana produzida na Madeira registou uma redução homóloga significativa no primeiro semestre de 2026, fixando-se em 7,9 mil toneladas, anunciou a Direção Regional de Estatística (DREM). A diminuição, de quase 20% face ao período homólogo, tem implicações diretas para produtores e para a cadeia de escoamento da fruta na Região Autónoma.

Motivos apontados e impacto nas categorias

De acordo com a DREM, a queda verifica-se sobretudo por condições climatéricas desfavoráveis, com intempéries e temperaturas médias mais baixas do que em 2025, fatores que afetaram tanto a quantidade como a qualidade da produção comercializada. Do total de banana comercializada no semestre, 75,7% foi expedida, uma proporção inferior aos 79,9% observados no mesmo período do ano anterior, sendo o continente o principal destino.

“É essencialmente justificada por condições climatéricas desfavoráveis (intempéries e temperaturas médias mais baixas do que em 2025), que impactaram na quantidade e qualidade da banana comercializada.”

A análise por categorias revela perfis distintos: a comercialização de bananas de categoria extra caiu 23,2% e a de primeira categoria diminuiu 16,8%, enquanto a segunda categoria registou um acréscimo de 21,1%, sinalizando uma degradação da qualidade média da produção colocada no mercado.

Variação mensal e pontos de pressão

O mês de junho foi o que apresentou o maior volume de vendas, com 1,8 mil toneladas. Por contraste, janeiro e fevereiro sofreram as quebras mais acentuadas, com decréscimos homólogos de 34,1% e 33,9%, respetivamente. Março, abril e junho registaram menores recuos homólogos: -3,5%, -7,7% e -6,9%.

Mês Variação homóloga
Janeiro -34,1%
Fevereiro -33,9%
Março -3,5%
Abril -7,7%
Junho -6,9% (1,8 mil t)

Esta distribuição mensal evidencia que os primeiros meses do ano foram os mais penalizados, possivelmente por episódios específicos de intempérie, enquanto o final do semestre beneficiou de uma recuperação parcial que culminou em junho.

Consequências práticas para produtores e mercado

A redução do volume comercializado e a alteração da composição por categorias implicam, para os produtores, menor rendimento e maior pressão sobre mecanismos de comercialização e escoamento. A diminuição da percentagem expedida sugere ainda constrangimentos logísticos ou de qualidade que impedem a colocação da totalidade da produção nos mercados externos.

  • Produtores: redução de receitas e necessidade de gerir stock e qualidade.
  • GESBA e distribuição: maior desafio na seleção e encaminhamento da produção por categoria.
  • Consumidores e mercado continental: possível impacto nos preços e na oferta, dependendo da evolução da produção no segundo semestre.

Os dados divulgados pela DREM têm por base a informação fornecida pela GESBA, entidade pública responsável pela gestão do setor. Perante estes números, a progressão da campanha ao longo do resto do ano e a evolução das condições meteorológicas serão determinantes para a recuperação do volume e da qualidade da banana madeirense.

Para os agentes locais, a prioridade imediata passa por acompanhar a evolução das categorias comercializáveis e por eventuais medidas de apoio ou de organização do escoamento que mitiguem perdas financeiras e garantam a sustentabilidade da produção.

Carolina Freitas
Carolina IA Correspondente na Madeira online

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