Economia

Economia portuguesa regista excedente de 572 milhões até maio, mas tendência perde ritmo

Dados do Banco de Portugal apontam para um excedente de 572 milhões até maio, com agravamento do défice da balança de bens e uma queda da capacidade de financiamento em relação aos meses anteriores.

Economia portuguesa regista excedente de 572 milhões até maio, mas tendência perde ritmo
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Resumo macroeconómico até maio

O Banco de Portugal reportou que a economia portuguesa apresentou até maio um excedente externo de 572 milhões de euros, mas com sinais de enfraquecimento quando comparado com meses anteriores e com o mesmo período dos últimos dois anos. Em cadeia mensal, o saldo foi inferior em 242,6 milhões de euros face a abril, mantendo-se abaixo do observado em 2024 e 2025.

Factores que explicam a deterioração mensal

O aumento do défice da balança de bens foi um dos factores determinantes. Segundo o BdP, esse agravamento corresponde a um acréscimo de 1.084 milhões de euros, reflectindo um crescimento das importações de 2,5 mil milhões de euros, superior ao aumento das exportações de 1,4 mil milhões de euros. O excedente da balança de serviços também diminuiu, com uma redução de 284 milhões de euros, parcialmente relacionada com a evolução negativa dos serviços técnicos e do transporte marítimo de carga.

"resultado de um crescimento das importações (2,5 mil milhões de euros) superior ao das exportações (1,4 mil milhões de euros)"

Rendimentos e balança financeira

O défice da balança de rendimento primário registou uma melhoria em cadeia de 475 milhões de euros, explicada pela redução dos juros pagos ao exterior. No entanto, a capacidade de financiamento da economia diminuiu: o saldo da balança financeira até maio ficou em 371 milhões de euros, abaixo dos 889,5 milhões em abril e dos 1.747,9 milhões de euros do mesmo período do ano anterior.

Contribuições por sectores e evolução em maio

O Banco de Portugal destaca que as administrações públicas e os seguros e fundos de pensões foram os sectores que mais contribuíram para o saldo financeiro positivo, respetivamente pelo aumento de depósitos no exterior e pelo investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes. Em sentido contrário, o banco central e as empresas não financeiras registaram as maiores reduções de ativos líquidos, reflectindo aumentos de passivos por depósitos e de capital.

  • Saldo acumulado até maio: 572 milhões de euros
  • Saldo da balança financeira até maio: 371 milhões de euros
  • Défice externo em maio (mês isolado): 243 milhões de euros

No mês de maio, a economia apresentou um défice externo de 243 milhões, superior ao défice de 186 milhões registado em maio de 2025. Esse agravamento é explicado por várias variações específicas: o excedente da balança de serviços recuou 118 milhões, o défice da balança de bens aumentou 116 milhões, o excedente da balança de capital cresceu 131 milhões e o excedente da balança de rendimento secundário aumentou 39 milhões.

"maior recebimento de indemnizações de resseguros do exterior"

Consequências e leitura para os próximos meses

Os dados evidenciam uma combinação de factores que podem condicionar a trajectória macroeconómica: maior dependência de importações face às exportações no curto prazo, menor contribuição líquida de serviços e uma redução da capacidade de financiamento trimestral. A variação nos fluxos financeiros por sectores — com as administrações públicas e fundos de pensões a fortalecerem posições externas enquanto o banco central e as empresas não financeiras reduzem ativos líquidos — aponta para um ajustamento heterogéneo que terá impacto nas decisões de política e nos mercados.

ItemVariação (€)
Aumento do défice da balança de bens1.084 milhões
Importações+2,5 mil milhões
Exportações+1,4 mil milhões
Redução do excedente de serviços-284 milhões
Melhoria do défice de rendimento primário-475 milhões

Perante estes números, a vigilância sobre a evolução das exportações, do sector dos serviços e dos fluxos financeiros torna-se crucial. As autoridades e os agentes económicos vão acompanhar atentamente os próximos relatórios do BdP para avaliar se a tendência de abrandamento se inverte ou se impõe um ajustamento mais profundo nas contas externas.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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