Queda do excedente até maio reflete subida de importações e menor contributo dos serviços
O Banco de Portugal informou que a economia portuguesa registou um excedente externo de 572 milhões de euros até maio, valor que traduz uma queda de 57,4% face ao mesmo período do ano anterior. Em termos mensais, o saldo diminuiu em 242,6 milhões de euros em relação a abril e mantém-se abaixo do verificado nos correspondentes meses de 2024 e 2025.
A variação mensal foi explicada pelo banco central, que destaca o aumento do défice da balança de bens em 1.084 milhões de euros, consequência de um crescimento das importações de 2,5 mil milhões de euros superior ao das exportações, que aumentaram 1,4 mil milhões de euros. Paralelamente, o excedente da balança de serviços reduziu-se em 284 milhões de euros, influência em parte atribuída à evolução negativa dos serviços técnicos e do transporte marítimo de carga.
"Os setores que mais contribuíram para este saldo positivo foram as administrações públicas, através do aumento dos seus depósitos no exterior, e as seguradoras e fundos de pensões, pelo investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes"
Do lado financeiro, a capacidade de financiamento até maio resultou num saldo da balança financeira de 371 milhões de euros, abaixo dos 889,5 milhões registados em abril e significativamente inferior aos 1.747,9 milhões de um ano antes. O Banco de Portugal assinala que as administrações públicas e os setores segurador/pensão foram os principais contribuintes para este saldo positivo, enquanto o banco central e as empresas não financeiras registaram as maiores reduções de ativos líquidos.
Num mês isolado, maio apresentou já um défice externo de 243 milhões de euros, contra 186 milhões no mesmo mês do ano anterior. O banco central atribui essa evolução, maioritariamente, à redução do excedente nos serviços (-118 milhões de euros), ao aumento do défice na balança de bens (+116 milhões) e a fatores associados à balança de capital (+131 milhões).
- Importações cresceram mais do que as exportações, pressionando o saldo da balança de bens.
- Serviços contribuíram menos para o excedente, com destaque para serviços técnicos e transporte marítimo.
- Setores públicos e seguradores foram determinantes no bloco financeiro positivo, apesar da queda geral do saldo financeiro.
O quadro traçado pelo Banco de Portugal evidencia um enfraquecimento do contributo externo para o financiamento da economia portuguesa. A simultânea pressão das importações e a menor rentabilidade relativa dos serviços turísticos e técnicos colocam desafios à dinamização do saldo externo, com possíveis implicações para a evolução das reservas e para as necessidades de financiamento externo nos próximos meses.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Excedente externo até maio | 572 milhões € |
| Variação anual | -57,4% |
| Saldo da balança financeira até maio | 371 milhões € |
| Défice externo em maio | 243 milhões € |
O conjunto de dados sublinha a necessidade de atenção às dinâmicas externas — importações, performance dos serviços e fluxos financeiros por setores — para avaliar a resistência da economia portuguesa perante choques externos e a evolução das contas externas ao longo do segundo semestre.