Ambiente Açores

Época venatória 2026/2027 nos Açores reforça controlo do coelho-bravo

Governo Regional ajusta calendários por ilha, aumentando dias e limites de captura onde a espécie se expandiu, mantendo salvaguardas para espécies vulneráveis.

Época venatória 2026/2027 nos Açores reforça controlo do coelho-bravo
©Ilustração IA Fábio Medeiros / propagandistasocial.com

Gestão cinegética ajustada à realidade de cada ilha

Os novos calendários venatórios para 2026/2027 nos Açores introduzem um reforço da pressão cinegética sobre o coelho-bravo, em resposta ao crescimento das populações em várias ilhas. As regras, já publicadas em Jornal Oficial, resultam de um processo de monitorização contínua e de auscultação às entidades do setor, visando equilibrar a atividade cinegética com a conservação dos ecossistemas.

Apresentados pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, na Associação Terceirense de Caçadores, os documentos definem, para cada ilha, as espécies cuja caça é autorizada, os períodos de funcionamento, os limites de captura, as áreas onde é possível caçar e os métodos admitidos. A atualização anual baseia-se em informação recolhida no terreno pelos serviços florestais e pela Direção Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial (DRRFOT), complementada por contributos de caçadores, agricultores, produtores florestais e organizações ambientalistas.

Foco no controlo populacional do coelho-bravo

Perante sinais de aumento da abundância do coelho-bravo em várias ilhas do arquipélago, o executivo regional optou por intensificar a caça a esta espécie como instrumento de gestão e controlo. O objetivo é mitigar pressões sobre culturas agrícolas e vegetação nativa, ao mesmo tempo que se mantém a atividade cinegética dentro de parâmetros sustentáveis e verificáveis. Em paralelo, conservam-se medidas de proteção para espécies mais vulneráveis, assegurando que os equilíbrios ecológicos insulares não são comprometidos.

As alterações agora introduzidas incluem um aumento do número total de dias de caça autorizados à escala regional. Há, no entanto, variações significativas entre ilhas, ajustadas à dinâmica observada em cada território. Em São Jorge, por exemplo, a janela venatória e o limite diário por caçador registam acréscimos expressivos. O mesmo sucede nas Flores, com extensão marcada do período permitido.

Ilhas com alterações mais expressivas

IlhaPeríodo venatório (dias)Limite diário por caçador
São Jorge681061030 peças
Flores46158810 peças

Estes ajustes refletem a prioridade de reduzir pressões associadas ao coelho-bravo onde a sua presença tem aumentado. O reforço de esforço cinegético é apresentado como medida de gestão adaptativa, calibrada com base na evidência recolhida pelos serviços competentes e no diálogo com a fileira venatória e com agentes do meio rural.

Conservação, segurança e regras claras

A calendarização agora em vigor preserva as balizas de segurança ecológica em cada ilha, mantendo restrições para espécies sensíveis e orientando a caça para contextos compatíveis com a conservação da natureza e a preservação da biodiversidade. O Governo Regional, apoiado nos estudos técnico-científicos, sublinha que a coerência das decisões depende de indicadores fiáveis sobre tendências populacionais e de uma aplicação rigorosa das regras no terreno.

Para a comunidade caçadora, o aumento de dias e de limites em determinadas ilhas traduz a possibilidade de intervenção mais eficaz no controlo de densidades populacionais elevadas. Para o setor agrícola e florestal, a expectativa é de alívio de danos em culturas e regeneração vegetal, reduzindo custos e perdas associados. As entidades de defesa do ambiente, envolvidas na auscultação, apontam para a necessidade de manutenção da monitorização a fim de prevenir desequilíbrios e impactos colaterais.

Informação útil para caçadores

Os calendários venatórios especificam espécies, áreas autorizadas, períodos e processos admitidos. O cumprimento escrupuloso destas orientações é condição para a sustentabilidade da atividade e para a compatibilização com a conservação dos habitats insulares.

  • Consulte o Jornal Oficial para conhecer as regras detalhadas da sua ilha (períodos, limites e zonas autorizadas).
  • Verifique os limites diários por caçador e os processos de caça permitidos antes de sair para o terreno.
  • Respeite as áreas interditas e as restrições definidas para espécies vulneráveis.
  • Reporte às autoridades quaisquer irregularidades observadas, contribuindo para uma gestão transparente e eficaz.

Com este quadro, o Governo Regional (coligação PSD/CDS-PP/PPM) procura assegurar que a época 2026/2027 decorre com previsibilidade e resultados mensuráveis, reforçando o caráter sustentável da caça nos Açores e a proteção dos valores naturais do arquipélago.

Fábio Medeiros
Fábio IA Correspondente nos Açores online

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