Rendimento mediano e desigualdade: o retrato do Alentejo em 2024
Os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o rendimento declarado, já deduzido o IRS liquidado, traçam um quadro heterogéneo para o Alentejo em 2024. A região apresentou um rendimento mediano de 12.022 euros por sujeito passivo, valor inferior à referência nacional de 12.316 euros, mas com diferenças marcantes entre sub‑regiões e concelhos.
Entre as sub‑regiões, o Alentejo Central foi a única a registar um rendimento mediano acima da média nacional, com 12.467 euros. Seguem‑se o Baixo Alentejo com 11.982 euros, o Alto Alentejo com 11.964 euros e o Alentejo Litoral com 11.538 euros. Estes números evidenciam assim uma divisão interna relevante quanto ao poder de compra e aos padrões de rendimento.
No plano municipal, Évora surge como o concelho alentejano com o rendimento mediano mais elevado: 13.926 euros por sujeito passivo. Com este resultado, Évora integra os 74 municípios do país que superam a referência nacional. Ao todo, são nove os concelhos do Alentejo com valores acima da média portuguesa.
- Impacto local sobre consumo e serviços: rendimentos medianos superiores tendem a sustentar maior procura local;
- Políticas de território: a heterogeneidade entre sub‑regiões aponta para necessidades diferenciadas em matéria de emprego e coesão social;
- Planeamento municipal: municípios com rendimentos mais baixos enfrentam desafios acrescidos no acesso a serviços e na atração de investimento.
Os concelhos alentejanos com rendimento mediano acima da média nacional são, por ordem decrescente:
| Município | Rendimento mediano (€) |
|---|---|
| Évora | 13.926 |
| Castro Verde | 13.826 |
| Santiago do Cacém | 13.507 |
| Sines | 13.442 |
| Portalegre | 12.986 |
| Aljustrel | 12.880 |
| Beja | 12.816 |
| Campo Maior | 12.809 |
| Arraiolos | 12.350 |
No extremo oposto, Odemira apresenta o valor mais baixo entre os concelhos analisados no Alentejo, com um rendimento mediano de 9.657 euros, sendo o único concelho da região abaixo de 10 mil euros. Seguem‑se Ferreira do Alentejo com 10.633 euros, Mértola com 11.174 euros, Sousel com 11.186 euros e Ponte de Sor com 11.188 euros.
O INE também destaca que, por não atingirem o limite de 2.000 sujeitos passivos definido para divulgação de indicadores, não foram disponibilizados valores para os concelhos de Alvito, Barrancos e Mourão.
Uma nota particular refere‑se a Alandroal, que sobressai por um indicador diferente: o concelho registou a menor desigualdade de rendimentos do país, conforme o INE. Esta redução da dispersão de rendimentos aponta para uma distribuição mais homogénea entre os declarantes naquele território, embora os números absolutos de rendimento possam ser mais modestos do que nos concelhos mais ricos da região.
Para os responsáveis locais e para quem acompanha as dinâmicas do distrito de Évora, estes resultados implicam reflexões sobre prioridades em políticas públicas: estímulo ao emprego qualificado, estratégias de atração e retenção de população e adaptação dos serviços locais às assimetrias dentro da própria região. A existência de concelhos com rendimentos claramente acima da média nacional, juntamente com outros substancialmente mais baixos, sublinha a necessidade de intervenções territoriais calibradas.
Os números agora divulgados pelo INE constituem uma base para intervenção e monitorização ao nível municipal e sub‑regional. Para os residentes, traduzem‑se em sinais sobre capacidade de consumo, investimentos em habitação e pressão sobre os serviços públicos — fatores que moldam o quotidiano das comunidades no Alentejo.