O encerramento, nos últimos dias, da Secção Destacada do Topo da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta trouxe ao debate público a capacidade de resposta a ocorrências no extremo leste da ilha de São Jorge. Na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o deputado do PSD/Açores Paulo Silveira apelou ao diálogo entre as autoridades para que a segurança das populações prevaleça.
Preocupação política e impacto local
Na intervenção na Horta, Silveira sublinhou que a prioridade deve ser garantir a prestação de socorro e de emergência às populações do Topo e de Santo Antão, zonas que, segundo o deputado, correspondem a cerca de um terço da população residente do concelho da Calheta. A Secção do Topo, criada em 1996, assegurou durante quase três décadas a resposta noturna de emergência pré-hospitalar naquela área.
O encerramento é interpretado pelo parlamentar como um retrocesso na proximidade do socorro, com risco de aumentar os tempos de intervenção e de comprometer a capacidade de apoio no restante concelho. Paulo Silveira tem acompanhado a situação nos últimos anos, defendendo maior articulação entre entidades regionais, municipais e associações humanitárias.
"A prioridade deve ser garantir a prestação de socorro e emergência à população do Topo e de Santo Antão"
Razões e consequências práticas
De acordo com a posição exposta, em termos legais a emergência médica pré-hospitalar é competência da Região, enquanto os municípios asseguram o socorro geral. É neste quadro de competências que o deputado apelou à construção de pontes de entendimento para resolver as preocupações suscitadas pelo encerramento.
- Secção criada em 1996 e operou quase três décadas;
- Topo e Santo Antão representam cerca de um terço da população do concelho da Calheta;
- Receios de aumento do tempo de resposta e diminuição da capacidade de cobertura no concelho.
Para os residentes destas freguesias, muitas das quais assentam numa população envelhecida e numa distribuição geográfica mais isolada, a ausência da estrutura local dos bombeiros traduz-se em preocupações concretas: deslocações mais longas das equipas, possível sobrecarga das demais corporações e dificuldades adicionais em situações de socorro noturno.
O apelo do deputado social-democrata passa pela cooperação entre todas as entidades envolvidas — governo regional, municípios e corporações de bombeiros — de modo a assegurar mecanismos de resposta que não comprometam a segurança e a confiança das comunidades locais. A questão promete manter-se na ordem do dia político e social até que sejam apresentadas soluções concretas para repor a cobertura operacional no Topo.