Pressão internacional obriga a revisão de dados, processos e tecnologia
A combinação entre globalização e avanço tecnológico está a transformar a função fiscal nas empresas portuguesas. Em debate nas Compliance Talks, especialistas sublinharam que, hoje, a expansão para mercados externos e a multiplicação de requisitos regulatorios impõem uma adaptação rápida em termos de dados, competências e governança.
O quadro regulatório internacional — incluindo iniciativas da OCDE, o conjunto de medidas BEPS e as normas IFRS — acresce complexidade aos relatórios e às obrigações fiscais. Ao mesmo tempo, a generalização da faturação eletrónica e dos canais digitais de reporte transforma o erro contabilístico numa falha com custos imediatos e elevados.
“Existem aqui diferentes tipos de desafios: desafios de recursos humanos, de falta de recursos para a própria função fiscal, uma maior utilização da tecnologia, também um conjunto e um contexto regulatório mais agressivo e globalizante.”
Os intervenientes nas conversas apontaram que a resposta das empresas passa por três vetores principais: acautelar a qualidade dos dados, consolidar centros de competência fiscal e adoptar tecnologia que suporte processos padronizados e auditáveis. Como resumo prático, «melhores dados, garantir uma boa governança de dados e ter processos sedimentados são determinantes» para reduzir exposição a riscos.
- Dados consistentes: qualidade e rastreabilidade dos registos fiscais.
- Competências internas: equipas com formação em fiscalidade tecnológica e normas internacionais.
- Suporte tecnológico: sistemas que automatizem reporting e assegurem conformidade.
Um exemplo prático que ilustra estes desafios é a experiência da Brisa. Com um centro corporativo em Portugal e um processo de internacionalização acelerado — incluindo a aquisição da francesa Access — a empresa teve de conciliar a operação diária com a integração de novos requisitos fiscais e de reporte. Cada nova operação exige um plano detalhado de integração, tanto na fase inicial de cerca de 90 a 100 dias como no acompanhamento subsequente.
| Desafio | Resposta recomendada |
|---|---|
| Fragmentação de dados entre jurisdições | Governança de dados centralizada e standardização de relatórios |
| Escassez de competências fiscais internas | Criação de centros de competência e programas de formação |
| Complexidade regulatória global | Adoção de tecnologia de suporte e processos auditáveis |
Para as empresas portuguesas, a lição é clara: não basta cumprir as obrigações locais — é preciso antecipar e estruturar respostas globais. A integração tecnológica e a melhoria na qualidade dos dados não são apenas uma vantagem operacional; transformaram-se em elementos essenciais de gestão de risco e de continuidade de negócio no contexto atual.
As discussões deixaram também implícita a necessidade de maior colaboração entre áreas financeiras, fiscais e de IT, bem como o papel crescente de parceiros externos — consultoras e fornecedores de software — para acelerar a adaptação. Em suma, a modernização da função fiscal é hoje um requisito estratégico, não apenas uma tarefa de conformidade.