Escavações retomadas no núcleo histórico
Entre 16 e 26 de junho realizou-se o primeiro turno de intervenções arqueológicas no interior do Castelo de Montemor-o-Novo, uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal que envolve docentes e estudantes das faculdades de arqueologia e história das universidades de Lisboa e Évora. O trabalho integra um projecto de investigação com duração prevista de quatro anos, atualmente no seu segundo ano, cujo propósito central é localizar a antiga Igreja de Santa Maria da Vila e compreender melhor o urbanismo medieval dentro das muralhas.
O levantamento e a escavação sistemática pretendem também clarificar a evolução da ocupação urbana intramuros, informação que terá consequências práticas para a interpretação do sítio, para a sua conservação e para a programação cultural e turística municipal. A participação de voluntários dos cursos envolvidos reforça a componente formativa do projecto e permite articular investigação científica com formação académica e mobilização de recursos locais.
- Datas do turno: 16–26 de junho.
- Entidades envolvidas: Câmara Municipal, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (curso de Arqueologia) e Universidade de Évora (História e Arqueologia).
- Objectivos: localizar a Igreja de Santa Maria da Vila e conhecer o urbanismo medieval intramuros.
Os resultados preliminares divulgados pela autarquia sugerem que as sondagens e as intervenções realizadas contribuíram para afinar hipóteses sobre a distribuição de estruturas religiosas e residenciais na área sondada. Embora as análises de campo e de laboratório — essenciais para datar vestígios e caracterizar materiais — ainda estejam em curso, a continuidade do programa ao longo de quatro anos permite perspetivar sequências estratigráficas mais sólidas e interpretações mais seguras.
| Projeto | Período | Participantes |
|---|---|---|
| Escavações Castelo de Montemor-o-Novo | 2.º ano de um ciclo de 4 anos | Município; cursos de Arqueologia (FLUL) e História/Arqueologia (UÉ) |
Para a população local, uma investigação arqueológica deste tipo tem implicações concretas: além da possibilidade de aparecimento de novos vestígios que poderão integrar circuitos interpretativos turísticos, os dados recolhidos orientam decisões sobre conservação e intervenções futuras na zona intramuros. A Câmara terá assim maior informação para planear intervenções que conciliem valorização patrimonial e utilização pública dos espaços.
A aposta municipal neste projecto evidencia uma estratégia de longo prazo sobre o património, que combina investigação académica e envolvimento de jovens e voluntários. A articulação com universidades nacionais traz competências técnicas e garantias de rigor científico, elementos que aumentam a credibilidade e o valor dos resultados para quem vive e trabalha em Montemor-o-Novo.
Nas próximas fases, espera-se a divulgação de relatórios parciais e de análises laboratoriais que permitirão confirmar cronologias e funções das estruturas identificadas. A Câmara Municipal indicou que continuará a promover a participação da comunidade académica e voluntária nas campanhas subsequentes, reforçando a dimensão educativa e participativa do projecto.