Formação busca transformar conhecimento em prática cívica
Uma iniciativa de formação dirigida a jovens no Haiti tentou, em 2025, criar ferramentas práticas para enfrentar a corrupção que contribui para a crise humanitária no país. A acção — uma Escola de Verão Anticorrupção — foi organizada pela Unidade de Luta Contra a Corrupção do Haiti (ULCC) com o apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Participaram na primeira edição 70 estudantes e jovens líderes da sociedade civil, num programa que incluiu palestras, workshops interativos e exercícios práticos.
Num contexto marcado por violência crescente, impunidade e instituições fragilizadas, os organizadores apontam a juventude como um vector decisivo para a reconstrução futura. Em atividades intensivas de uma semana, os presentes tiveram oportunidade de aprender a identificar, prevenir e denunciar práticas de corrupção — desde extorsão e suborno até apropriação indevida de bens públicos.
"A Escola de Verão representa muito mais do que um programa de formação."
Trata-se de uma afirmação atribuída a Adrian Banu, conselheiro anticorrupção do UNODC no Haiti, que sublinhou a dimensão estratégica do projecto. Numa sociedade em que, segundo os promotores do programa, mais da metade da população tem menos de 25 anos, o investimento na formação cívica é apresentado como aposta para moldar a próxima geração responsável pela reconstrução das instituições públicas.
Impacto individual e coletivo
O relato de um participante, Adamson Junior Lavéus, descreve o curso como altamente transformador, permitindo-lhe compreender as variadas manifestações da corrupção e a importância da educação cívica para capacitar a sociedade haitiana. Os formandos trabalharam competências práticas de denúncia e prevenção, bem como princípios de integridade que os responsáveis esperam ver replicados nas comunidades.
- Formação prática com oficinas e exercícios aplicados
- Parceria entre ULCC e UNODC para implementação do curso
- Objetivo de influenciar a futura administração pública numa sociedade com população jovem
Embora a iniciativa seja apontada pelos organizadores como um investimento com potencial de provocar mudanças profundas, o êxito a médio e longo prazo depende de factores estruturais que permanecem por resolver: capacidade institucional, mecanismos de responsabilização e um ambiente de segurança que permita o exercício pleno da cidadania.
Dados-chave da iniciativa
| Elemento | Valor |
|---|---|
| Participantes na primeira edição | 70 |
| Duração do curso | Uma semana |
| Parceiros | ULCC e UNODC |
Os promotores sublinham que a formação é apenas um componente de uma resposta mais ampla contra a corrupção. Para que os conhecimentos adquiridos tenham tradução prática e sustentável são necessários sistemas de denúncia eficazes, proteção para quem denuncia e compromisso institucional para investigar e sancionar irregularidades. Sem esses elementos, a capacitação corre o risco de não ultrapassar o nível simbólico.
Num país onde a crise humanitária se agrava com a escalada da violência e a fragilidade das instituições públicas, projectos como a Escola de Verão anticorrupção procuram criar uma base de valores e competências que possam, ao longo do tempo, contribuir para a recuperação institucional e para uma sociedade mais transparente.