Estratégia regional privilegia inovação para enfrentar limitações estruturais
O presidente do Governo Regional da Madeira destacou na Feira Agropecuária que o futuro do sector primário regional passa por uma agricultura mais tecnológica e de valor acrescentado, destinada a garantir melhores preços e rentabilidade aos produtores. A posição surge no contexto de desafios crónicos como a escassez de terrenos e de mão-de-obra, que exigem respostas que não sejam a intensificação tradicional da produção.
Segundo o responsável político, a estratégia do Executivo assenta em dois eixos fundamentais: aumentar a qualidade da produção e modernizar os processos agrícolas. Essa aposta visa conciliar a especificidade insular — com limitações de espaço e condições geográficas — com uma oferta capaz de ter procura e preços superiores no mercado.
"O sector primário da Madeira tem a ver com dois princípios fundamentais, que são a orientação do Governo: produzir com mais qualidade, melhor preço e rentabilidade para os agricultores e a modernização da agricultura"
Na prática, a modernização passa por promover unidades de produção tecnologicamente avançadas, com destaque para a horticultura através de técnicas como a hidroponia e a automação de processos. A Escola Agrícola é apontada como um dos pólos de desenvolvimento e transferência de conhecimentos, preparando quadros técnicos capazes de operar estas novas formas de produção.
Para além da horticultura, o Governo Regional anunciou investimentos no sector pecuário com vista a reforçar a autonomia alimentar. Projetos ligados à produção de ovos e de carne de frango estão em curso, e há um processo avançado para a criação de uma marca da carne bovina madeirense, baseada na raça autóctone (raça terra), que pretende acrescentar valor e permitir preços mais elevados no mercado.
- Modernização por via da tecnologia (hidroponia, automação).
- Valorização da produção com marca regional para carne bovina.
- Investimentos para reforçar autonomia alimentar (ovos, frango).
O anúncio da marca para a carne bovina revela uma estratégia de diferenciação que combina identidade rural e valorização comercial: ao vincular o produto à raça local, o objetivo é criar um produto de valor acrescentado que suporte preços superiores e abra mercados com maior margem. Esta abordagem insere-se numa lógica de promoção de cadeias curtas e de produtos regionais com apelo diferenciador.
| Sectores | Ações anunciadas |
|---|---|
| Horticultura | Promoção de hidroponia e automação em unidades de produção tecnologicamente avançadas |
| Pecuária | Investimentos para autonomia alimentar (ovos, carne de frango) e criação de marca para carne bovina da raça autóctone |
| Formação | Reforço do papel da Escola Agrícola na transferência tecnológica e qualificação |
O discurso sublinha ainda uma dimensão social: a necessidade de tornar a agricultura atrativa para jovens, reconhecendo que poucos se irão submeter a práticas de grande desgaste físico. A aposta em tecnologia procura responder a essa realidade, reduzindo o esforço humano e criando funções mais qualificadas no sector.
As medidas anunciadas apontam para uma transição que conjuga política pública, formação e investimento privado. O sucesso dependerá, contudo, da capacidade de financiamento, do desenvolvimento de mercados para produtos diferenciados e da integração de cadeias logísticas que permitam comercializar os novos produtos a preços que justifiquem a mudança de modelo.
Num território com limitações de recursos, a aposta por uma agricultura de ponta pretende transformar constrangimentos em vetores de especialização, com impacto direto na sustentabilidade económica das explorações e na autonomia alimentar regional.