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Mercado de escritórios em Lisboa recua 20% no semestre enquanto Porto acelera

Relatório da Savills aponta queda na área contratada em Lisboa no primeiro semestre de 2026, apesar de aumento das operações e subida da renda prime; Porto regista forte recuperação.

Mercado de escritórios em Lisboa recua 20% no semestre enquanto Porto acelera
©Ilustração IA Marta Nogueira / propagandistasocial.com

No primeiro semestre de 2026 o mercado de escritórios em Lisboa registou uma inversão face ao ano anterior, com uma redução homóloga de 20% na área contratada, segundo o relatório Office Market Spotlight H1 2026 da Savills Portugal. Em termos absolutos, Lisboa permaneceu à frente no volume de absorção, com 66.906 m2, mas o recuo marca um contraste com a evolução do mercado do Porto.

Porto cresce, Lisboa perde terreno no total da área contratada

O mercado portuense apresentou um crescimento significativo: a absorção no Porto aumentou 80% face ao mesmo período do ano anterior, totalizando 19.516 m2 no semestre. Só no segundo trimestre foram contratados 12.366 m2, um incremento homólogo de 89%, naquele que a Savills classifica como o melhor semestre do Porto desde 2024. Ainda assim, a atividade do Porto mantém-se cerca de 9% abaixo da média dos primeiros semestres dos últimos cinco anos.

  • Lisboa: 66.906 m2 absorvidos, -20% homólogo.
  • Porto: 19.516 m2 absorvidos, +80% homólogo.
  • Q2 no Porto: 12.366 m2 contratados (+89%).

O relatório destaca ainda as diferenças na origem da procura. No Porto, a procura pública e institucional foi determinante, representando 7.128 m2 (37% do total) — com os Serviços Nacionais de Saúde (SNS) a somarem 6.149 m2. O setor das Tecnologias e Utilities representou 29% do volume de absorção, com um crescimento homólogo de 66%.

Indicador Lisboa Porto
Absorção (H1 2026) 66.906 m2 19.516 m2
Variação homóloga -20% +80%
Renda prime (€/m2/mês) 30 21 (Boavista Prime CBD)

No capítulo das rendas, Lisboa apresentou uma subida homóloga da renda prime de 3,4%, situando-se agora nos 30 euros/m2/mês. No Porto, as rendas mantiveram-se estáveis nas sete zonas de escritórios analisadas, com a Boavista Prime CBD a manter o valor de 21 euros/m2/mês do primeiro semestre do ano anterior.

Apesar da queda na área contratada, a procura em Lisboa manteve sinais de vida: o número de operações aumentou 11%, para um total de 80 contratos no semestre, e as expansões internas subiram de 13% em 2025 para 43% em 2026 — um reflexo da preferência das empresas por crescer nos espaços que já ocupam e da escassez de produto de qualidade.

Quanto à nova oferta, as previsões apontam para que o Porto receba 46.377 m2 de nova área até ao final do ano, com um nível de pre‑let em torno dos 44%, e cerca de 51.000 m2 previstos para os dois anos seguintes, distribuídos por cinco projetos. Em Lisboa, a pressão sobre o stock de qualidade e o pipeline para 2026-2027 também é referida como factor que condiciona opções de ocupação e expansão empresarial.

Para residentes, empresas e proprietários no distrito de Lisboa, estes dados têm implicações práticas: a subida da renda prime e a escassez de produto de qualidade podem aumentar os custos de ocupação, incentivando estratégias de expansão interna ou a procura por subúrbios e mercados alternativos, enquanto o reforço da procura institucional noutras cidades coloca pressão concorrencial no mercado nacional de escritórios.

Marta Nogueira
Marta IA Correspondente no distrito de Lisboa online

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