Um estudo recente da UNESCO conclui que, no ano passado, a maioria dos países em desenvolvimento destinou mais recursos para o serviço da sua dívida externa do que para a educação. Segundo o relatório, as crianças figuram entre os grupos mais prejudicados por esta reconfiguração orçamental: em 113 países a prioridade foi o pagamento de empréstimos.
Escala do problema e regiões mais atingidas
O documento destaca que, em 18 Estados, os desembolsos para a dívida foram até cinco vezes superiores aos gastos com educação. A situação é particularmente grave na África Subsaariana, onde os governos gastaram, em média, 3,6 vezes mais com serviço da dívida do que com ensino. A UNESCO alerta ainda para riscos adicionais caso se verifiquem cortes no financiamento internacional.
Impactos imediatos e potenciais cortes no financiamento
A agência da ONU sublinha que os países de baixa e média-baixa renda já sofreram uma redução média de 21% na ajuda à educação, um recuo que pode atingir 30% até 2027. O relatório refere também que algumas nações — nomeadamente Afeganistão, Mali, Níger e Libéria — perderam mais de 40% do financiamento educacional num período de três anos.
- Menos investimento em escolas e professores;
- Risco de aumento das taxas de abandono escolar;
- Comprometimento do desenvolvimento económico futuro.
O relatório deixa implícito que a combinação de elevados pagamentos de dívida e redução da ajuda externa pode aprofundar as desigualdades educativas e limitar oportunidades para gerações futuras. Para muitos países, isto significa decisões orçamentais difíceis entre cumprir obrigações financeiras e manter serviços públicos essenciais.
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Países onde crianças mais afetadas | 113 |
| Países com dívida >5x educação | 18 |
| Relação dívida/educação na África Subsaariana | 3,6× |
| Corte médio de ajuda à educação | 21% (poderá chegar a 30% até 2027) |
| Países com perdas >40% | Afeganistão, Mali, Níger, Libéria |
As consequências políticas e sociais distendem-se para além dos orçamentos: menos recursos para educação tendem a traduzir-se em menor qualificação laboral no futuro, maiores níveis de pobreza e instabilidade social. A UNESCO apela à revisão das prioridades financeiras e a soluções internacionais que aliviem o peso da dívida sem sacrificar investimentos fundamentais em capital humano.
Sem medidas concertadas — como renegociações de dívida, suspensão temporária de pagamentos ou aumento da assistência internacional —, muitos países em desenvolvimento poderão ver comprometida a concretização dos objectivos de educação para todos e o progresso rumo ao desenvolvimento sustentável.