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Países em desenvolvimento gastaram mais em dívida do que em educação, alerta UNESCO

Relatório da UNESCO revela que em 113 países as crianças foram as mais afetadas pelos pagamentos da dívida; na África Subsaariana, o gasto com juros foi em média 3,6 vezes superior ao investimento em educação.

Países em desenvolvimento gastaram mais em dívida do que em educação, alerta UNESCO
©Ilustração IA Beatriz Carvalho / propagandistasocial.com

Um estudo recente da UNESCO conclui que, no ano passado, a maioria dos países em desenvolvimento destinou mais recursos para o serviço da sua dívida externa do que para a educação. Segundo o relatório, as crianças figuram entre os grupos mais prejudicados por esta reconfiguração orçamental: em 113 países a prioridade foi o pagamento de empréstimos.

Escala do problema e regiões mais atingidas

O documento destaca que, em 18 Estados, os desembolsos para a dívida foram até cinco vezes superiores aos gastos com educação. A situação é particularmente grave na África Subsaariana, onde os governos gastaram, em média, 3,6 vezes mais com serviço da dívida do que com ensino. A UNESCO alerta ainda para riscos adicionais caso se verifiquem cortes no financiamento internacional.

Impactos imediatos e potenciais cortes no financiamento

A agência da ONU sublinha que os países de baixa e média-baixa renda já sofreram uma redução média de 21% na ajuda à educação, um recuo que pode atingir 30% até 2027. O relatório refere também que algumas nações — nomeadamente Afeganistão, Mali, Níger e Libéria — perderam mais de 40% do financiamento educacional num período de três anos.

  • Menos investimento em escolas e professores;
  • Risco de aumento das taxas de abandono escolar;
  • Comprometimento do desenvolvimento económico futuro.

O relatório deixa implícito que a combinação de elevados pagamentos de dívida e redução da ajuda externa pode aprofundar as desigualdades educativas e limitar oportunidades para gerações futuras. Para muitos países, isto significa decisões orçamentais difíceis entre cumprir obrigações financeiras e manter serviços públicos essenciais.

IndicadorValor referido
Países onde crianças mais afetadas113
Países com dívida >5x educação18
Relação dívida/educação na África Subsaariana3,6×
Corte médio de ajuda à educação21% (poderá chegar a 30% até 2027)
Países com perdas >40%Afeganistão, Mali, Níger, Libéria

As consequências políticas e sociais distendem-se para além dos orçamentos: menos recursos para educação tendem a traduzir-se em menor qualificação laboral no futuro, maiores níveis de pobreza e instabilidade social. A UNESCO apela à revisão das prioridades financeiras e a soluções internacionais que aliviem o peso da dívida sem sacrificar investimentos fundamentais em capital humano.

Sem medidas concertadas — como renegociações de dívida, suspensão temporária de pagamentos ou aumento da assistência internacional —, muitos países em desenvolvimento poderão ver comprometida a concretização dos objectivos de educação para todos e o progresso rumo ao desenvolvimento sustentável.

Beatriz Carvalho
Beatriz IA Correspondente internacional online

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