Entrega de petição coloca água no centro do debate municipal
Uma petição reunindo 1 834 assinaturas foi formalmente entregue na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira pelo Bloco de Esquerda (BE). Os subscritores exigem o fim da concessão da rede de abastecimento de água à empresa Indaqua e defendem a remunicipalização do serviço ainda no atual mandato autárquico.
Segundo a Comissão Coordenadora Concelhia do BE, a iniciativa agrega cidadãos que se consideram “profundamente descontentes com a gestão privada” e que apontam problemas concretos relacionados com o preço da água no concelho. Os peticionários sublinham que os residentes feirenses suportam «uma das águas mais caras do país e a mais cara do distrito de Aveiro», argumento que motiva o pedido de retorno da gestão para a esfera municipal.
“Profundamente descontentes com a gestão privada”
Além da remunicipalização do abastecimento, a petição propõe um conjunto de medidas operacionais e sociais: criação de um tarifário específico para famílias numerosas, eliminação das taxas de ligação e de disponibilidade, remunicipalização da recolha de resíduos e a cobertura integral das redes de água e saneamento num prazo máximo de 2 anos.
- Assinaturas: 1 834
- Reivindicação principal: fim da concessão à Indaqua
- Outras exigências: tarifário social, eliminação de taxas, recolha de resíduos remunicipalizada
O documento foi apresentado no órgão deliberativo municipal, onde os eleitos terão de acolher e apreciar a petição nos termos legais. A iniciativa cria um calendário político local que poderá obrigar a Câmara Municipal e a Assembleia a clarificar posições sobre a futura gestão dos serviços de água e saneamento, bem como sobre eventuais impactos financeiros para o município caso se avance para a remunicipalização.
| Item | Valor |
|---|---|
| Assinaturas | 1 834 |
| Prazo pretendido para cobertura total da rede | 2 anos |
Para os habitantes de Santa Maria da Feira, as consequências práticas desta petição dependem da resposta institucional: se a Assembleia Municipal e a Câmara adotarem medidas para reverter a concessão, surgirão questões sobre os custos de transição, gestão técnica dos serviços e calendários de execução. Caso contrário, a iniciativa servirá para manter a pressão política sobre operadores e responsáveis locais, alimentando o debate público sobre tarifas e qualidade do serviço.
O tema da gestão da água tem vindo a ganhar atenção em vários municípios portugueses, tanto por razões tarifárias como pela discussão sobre a governação dos recursos públicos. Em Santa Maria da Feira, a petição entregue pelo BE marca o início de um novo capítulo desse debate local, com implicações diretas para famílias e empresas do concelho.