Compra reforça equipamento para neutralizar drones em operações de segurança
A Polícia Federal firmou um contrato para aquisição de um sistema de contramedidas contra aeronaves não tripuladas (C-UAS) no valor de R$ 1,5 milhão, com vigência até 2031. A medida integra um conjunto de ações destinadas a proteger dignitários, testemunhas e instalações da corporação contra incursões de drones.
Paralelamente, foi aberto um processo de registro de preços no montante de R$ 72,9 milhões para compra de uma arma portátil destinada à neutralização de drones. Estes movimentos acontecem num contexto em que órgãos de segurança registaram um elevado número de intervenções para abater veículos aéreos não tripulados.
Escala das ocorrências e implicações operacionais
Os números divulgados apontam para uma actividade intensa de neutralização: até fevereiro foram contabilizadas 6.444 incursões nos espaços aéreos de residências oficiais e locais de trabalho. Em 2025, o total de drones abatidos chegou a 36.000, o que se traduziu, segundo os dados, numa média aproximada de um drone abatido a cada 14 minutos.
Este padrão de ocorrências coloca desafios técnicos e legais. Do ponto de vista operacional, as autoridades precisam de soluções que permitam identificar, localizar e neutralizar ameaças sem comprometer equipas, civis ou infraestruturas críticas. No plano jurídico, o uso de contramedidas envolve intersecções com normas sobre espaço aéreo, privacidade e responsabilidade pelos danos causados.
Tecnologia e fornecedores
O sistema contratado insere-se na categoria C-UAS, que engloba diversas tecnologias: deteção por radar e rádiofrequência, identificação visual, interferência de comunicações e, em alguns casos, meios cinéticos para derrube. A aquisição por pregão público indica a procura por soluções testadas e aptas a integração com rotinas de segurança já existentes.
- Finalidade: proteção de dignitários, testemunhas e instalações da Polícia Federal;
- Valor do contrato: R$ 1,5 milhão (vigência até 2031);
- Ordem de compra adicional: processo de registro de preços de R$ 72,9 milhões para arma portátil anti-drones.
| Item | Valor / Quantidade |
|---|---|
| Contrato C-UAS | R$ 1,5 milhão (até 2031) |
| Registro de preços - arma portátil | R$ 72,9 milhões |
| Drones abatidos até fevereiro | 6.444 |
| Total em 2025 | 36.000 |
| Média de abates em 2025 | 1 a cada 14 minutos |
Para as forças de segurança, a adopção destas tecnologias exige avaliações contínuas de eficácia, custos e impacto operacional. Sistemas C-UAS variam em capacidades e limitações, sendo crucial a interoperabilidade com outros meios de vigilância e a formação adequada das equipas encarregues da operação.
Além disso, especialistas alertam para a necessidade de acompanhar a evolução normativa e de estabelecer procedimentos claros para o uso de contramedidas, a fim de mitigar riscos colaterais e preservar garantias legais. O investimento público nestes sistemas reflete uma resposta à crescente disponibilidade e sofisticação de drones comerciais e improvisados, que têm sido explorados tanto em ações ilegais como em incidentes acidentais.
Em suma, a contratação de um C-UAS pela Polícia Federal e a abertura de registos para aquisição de armamento anti-drone traduzem uma aposta em tecnologia para proteger pessoas e infraestruturas, mas colocam desafios de integração operacional, conformidade legal e avaliação de resultados.