Convocatórias tardias e problemas técnicos marcam fase final das correções
A fase final da correção dos exames nacionais do ensino secundário ficou marcada esta segunda‑feira por convocações de última hora de professores e por falhas no sistema de classificação em formato digital, denunciou o movimento Missão Escola Pública (MEP). A situação surge quando o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) já tinha alargado prazos perante constrangimentos tecnológicos.
Segundo a porta‑voz da MEP, Cristina Mota, houve docentes que foram chamados ao início da tarde para iniciar ou retomar tarefas de avaliação quando faltava apenas um dia para o fecho do novo calendário. Em vários casos, acrescentou, os professores que aceitaram a convocatória não conseguiram aceder aos itens que lhes tinham sido atribuídos, o que atrasou e condicionou o trabalho de correção.
"Temos colegas que foram convocados ao início da tarde e alguns dos que aceitaram ainda não conseguem aceder aos itens"
Este ano, e pela primeira vez, a correção dos exames do ensino secundário está a ser realizada em formato digital. O processo tem registado problemas técnicos desde o início, pelo que o MECI decidiu adiar prazos inicialmente previstos. De acordo com o balanço apresentado pelo ministro Fernando Alexandre, 92% das provas já se encontram corrigidas.
Com mais de 300 000 provas realizadas pelos alunos do 11.º e 12.º anos, permanecem por corrigir cerca de 20 000 provas. Apesar do número residual, continuam a chegar convocatórias a professores para realizarem esta tarefa final. A MEP alerta que alguns docentes receberam quase 200 itens para classificar numa fase que deveria privilegiar a revisão de classificações já atribuídas.
Outro fator de tensão foi a publicação, já na segunda‑feira, dos critérios de avaliação definitivos, quando esta etapa final do processo deveria permitir uma segunda análise e uma revisão cuidada das classificações. A porta‑voz do movimento adiantou que, mesmo que os novos prazos sejam cumpridos, a pressão temporal e as dificuldades de acesso não possibilitarão a revisão que os docentes consideram necessária para garantir a qualidade e a justiça das classificações.
As falhas relatadas incluem dificuldades de autenticação e acesso aos itens, ausência de folhas de continuação em alguns casos e correspondência incorreta entre essas folhas e as respostas em avaliação. Estas ocorrências mantêm o clima de apreensão entre os docentes e suscitam dúvidas sobre a robustez do sistema digital implementado nesta primeira experiência em larga escala.
- Modalidade: Correção digital dos exames do secundário (estreia nacional neste formato).
- Prazos: MECI adiou calendarização; novo prazo termina no final do dia de terça‑feira.
- Estado: 92% das provas corrigidas; cerca de 20 000 por corrigir.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Provas realizadas | +300 000 |
| Percentagem já corrigida | 92% |
| Provas por corrigir (aprox.) | 20 000 |
O cenário descrito pelos docentes e pelo MEP coloca questões sobre a preparação técnica da plataforma de correção digital, a gestão das convocatórias e o calendário de publicação dos critérios de avaliação. Enquanto o MECI reúne os dados e acompanha a finalização das classificações, resta perceber se as garantias dadas — nomeadamente quanto ao cumprimento do novo prazo — serão suficientes para assegurar que as notas finais reflitam uma avaliação rigorosa e comparável entre alunos.
Esta polémica surge numa altura em que a transição para processos digitais na administração pública e no sistema educativo é vista como inevitável, mas dependente da fiabilidade das plataformas e da adequação dos procedimentos de suporte e formação aos utilizadores — neste caso, os professores. O desenrolar das próximas horas será determinante para avaliar o impacto final destas disfunções na transparência e na confiança do sistema de exames nacionais.