Tecnologia

Só 8% das empresas brasileiras equilibram confiança e governança na adopção de IA

Um estudo conjunto do SAS Institute e da IDC revela que a maioria das empresas no Brasil ainda não tem estruturas adequadas para transformar investimento em inteligência artificial em resultados seguros e sustentáveis.

Só 8% das empresas brasileiras equilibram confiança e governança na adopção de IA
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

Estudo aponta lacunas na preparação para inteligência artificial

Um levantamento global conduzido pelo SAS Institute em parceria com a IDC mostra que apenas 8% das empresas no Brasil conseguem conciliar confiança na inteligência artificial com mecanismos firmes de governança, transparência e gestão de risco. O resultado coloca o país ligeiramente abaixo da média global, de 9%, e evidencia o chamado «dilema da confiança»: muitas organizações apostam na tecnologia sem ter processos para a gerir de forma responsável.

O estudo baseou-se em 2.375 entrevistas realizadas em várias regiões do mundo e classifica as empresas brasileiras em diferentes grupos conforme a sua maturidade no uso de IA. Entre os dados destacados estão os seguintes:

  • 48% das empresas estão no grupo identificado como «retardatárias», com baixa confiança e fraca estrutura de governança;
  • 26% apresentam excesso de confiança: acreditam no potencial da IA mais do que a sua infraestrutura permite suportar;
  • 19% utilizam menos IA do que poderiam, apesar de terem condições para expandir o seu uso.
DadoPercentagem
Empresas brasileiras em equilíbrio8%
Média global9%
Classificadas como retardatárias48%
Excesso de confiança26%
Subutilização de IA19%

O diagnóstico aponta para falhas concretas: ausência de controlos robustos, qualidade de dados insuficiente e lacunas nas estratégias de gestão de risco. Em termos práticos, isso significa que muitas empresas estão a investir em projectos de IA sem garantir que estes sejam auditáveis, explicáveis e alinhados com normas internas ou externas — fatores essenciais para evitar falhas operacionais e consequências reputacionais.

Para além do risco operativo, a discrepância entre expectativas e preparação pode ter impacto na competitividade. Organizações que dispõem de governação adequada conseguem transformar soluções de IA em eficiência, novos produtos e serviços, enquanto as demais correm o risco de perder investimento ou de enfrentar problemas de conformidade e confiança por parte de clientes e reguladores.

O estudo sugere que a adopção responsável de IA exige um conjunto integrado de medidas: melhoria da qualidade dos dados, formação técnica e de gestão, definição de políticas de governação e mecanismos de avaliação contínua do risco. Sem estas componentes, a tecnologia permanece uma promessa dificilmente convertível em valor sustentável.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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