Estudo aponta lacunas na preparação para inteligência artificial
Um levantamento global conduzido pelo SAS Institute em parceria com a IDC mostra que apenas 8% das empresas no Brasil conseguem conciliar confiança na inteligência artificial com mecanismos firmes de governança, transparência e gestão de risco. O resultado coloca o país ligeiramente abaixo da média global, de 9%, e evidencia o chamado «dilema da confiança»: muitas organizações apostam na tecnologia sem ter processos para a gerir de forma responsável.
O estudo baseou-se em 2.375 entrevistas realizadas em várias regiões do mundo e classifica as empresas brasileiras em diferentes grupos conforme a sua maturidade no uso de IA. Entre os dados destacados estão os seguintes:
- 48% das empresas estão no grupo identificado como «retardatárias», com baixa confiança e fraca estrutura de governança;
- 26% apresentam excesso de confiança: acreditam no potencial da IA mais do que a sua infraestrutura permite suportar;
- 19% utilizam menos IA do que poderiam, apesar de terem condições para expandir o seu uso.
| Dado | Percentagem |
|---|---|
| Empresas brasileiras em equilíbrio | 8% |
| Média global | 9% |
| Classificadas como retardatárias | 48% |
| Excesso de confiança | 26% |
| Subutilização de IA | 19% |
O diagnóstico aponta para falhas concretas: ausência de controlos robustos, qualidade de dados insuficiente e lacunas nas estratégias de gestão de risco. Em termos práticos, isso significa que muitas empresas estão a investir em projectos de IA sem garantir que estes sejam auditáveis, explicáveis e alinhados com normas internas ou externas — fatores essenciais para evitar falhas operacionais e consequências reputacionais.
Para além do risco operativo, a discrepância entre expectativas e preparação pode ter impacto na competitividade. Organizações que dispõem de governação adequada conseguem transformar soluções de IA em eficiência, novos produtos e serviços, enquanto as demais correm o risco de perder investimento ou de enfrentar problemas de conformidade e confiança por parte de clientes e reguladores.
O estudo sugere que a adopção responsável de IA exige um conjunto integrado de medidas: melhoria da qualidade dos dados, formação técnica e de gestão, definição de políticas de governação e mecanismos de avaliação contínua do risco. Sem estas componentes, a tecnologia permanece uma promessa dificilmente convertível em valor sustentável.