Uma situação de instabilidade atmosférica deixou os céus dos Açores em estado de agitação entre a noite de 5 e a manhã de 6 de agosto, período durante o qual foram registadas aproximadamente 19 000 descargas elétricas em todo o arquipélago, revelou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Registo e áreas mais atingidas
O episódio foi associado a uma depressão localizada que favoreceu a formação de convecção profunda num ambiente com elevado teor de humidade. O Grupo Central e o Grupo Oriental foram os mais afetados, com especial incidência nas ilhas do Faial, Pico, São Jorge, Terceira, Graciosa, São Miguel e Santa Maria.
- Pico: ilha mais atingida pela atividade elétrica.
- Faial, São Jorge, Terceira e Graciosa: impacto no Grupo Central.
- São Miguel e Santa Maria: relato de instabilidade no Grupo Oriental.
O IPMA indica que, na ilha do Pico, foram contabilizadas 414 descargas na sua Rede de Deteção de Descargas Elétricas, das quais 188 foram nuvem–solo e 226 intranuvem. A monitorização combinou informação dessa rede, estações meteorológicas e radares, permitindo acompanhar a evolução da atividade em tempo real.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Total de descargas (Açores, ~12h) | ~19 000 |
| Descargas registadas no Pico (IPMA) | 414 |
| Descargas nuvem–solo (Pico) | 188 |
| Descargas intranuvem (Pico) | 226 |
| Máxima precipitação horária (Pico) | 30 mm |
“combinação de uma atmosfera muito instável, com elevado teor de humidade e condições favoráveis ao desenvolvimento de convecção profunda”
Além da intensa atividade elétrica, o evento trouxe precipitação por vezes forte: o registo máximo apontado pelo IPMA foi de 30 mm numa hora na ilha do Pico, entre as 22h00 e as 23h00 (hora dos Açores) do dia 5 de agosto. As condições adversas estenderam-se durante a noite, com impacto observado até à manhã seguinte.
Para os residentes e visitantes, episódios desta natureza colocam desafios imediatos: risco acrescido de incêndios por descargas nuvem–solo, perturbações em redes elétricas e de comunicações, e condicionamentos no transporte marítimo e aéreo. A monitorização em tempo real pelo IPMA permitiu às autoridades acompanhar a evolução e emitir alertas conforme necessário.
As equipas de proteção civil e serviços públicos regionais mantêm-se em vigilância quando se formam sistemas convectivos intensos no arquipélago, dada a possibilidade de precipitação intensa e descargas frequentes num curto intervalo temporal. Recomenda-se à população seguir as orientações oficiais, evitar locais expostos durante trovoadas e reportar incidentes que envolvam infraestruturas ou risco para pessoas.