Ambiente

Acumulação recorde de sargaço ameaça turismo e exige resposta ambiental coordenada

Volumes históricos de sargaço têm obrigado autoridades e empresas turísticas a operações diárias de limpeza nas praias do Caribe, enquanto cientistas alertam para sinais de que o fenómeno se agravou na última década e pode persistir em 2026.

Acumulação recorde de sargaço ameaça turismo e exige resposta ambiental coordenada
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

Regiões do Caribe e da Riviera Maya enfrentam uma onda de sargaço de dimensão sem precedentes, que obriga hotéis, operadores e forças navais a operações diárias de remoção das algas das praias. O fenómeno, que era antes restrito ao chamado Mar dos Sargaços, expandiu‑se nas últimas décadas e já está a provocar impactos económicos e ambientais significativos.

Origem e fatores que alimentam as massas de algas

Cientistas identificam uma combinação de fatores que tem favorecido a proliferação do sargaço: correntes oceânicas que transportaram a alga para águas tropicais, afluxos de nutrientes trazidos por grandes rios e por ressurgências de águas profundas, depósitos de poeira do Saara e o aquecimento das águas. Estas condições criaram um ambiente muito favorável ao crescimento e à manutenção de vastos tapetes de alga na superfície do oceano.

O Laboratório de Oceanografia Óptica da Universidade do Sul da Flórida prevê que 2026 será pelo menos o segundo ano com maior presença de sargaço, com probabilidade de mais acumulações no Caribe e no sudeste da Flórida nos próximos meses. Segundo o investigador Brian Barnes, citado pelos meios, a situação é recente e difícil de modelar:

"Antes de 2010, não havia nada. Desde então, passamos de até 1 milhão de toneladas em toda a região, em 2011, para 40 milhões no ano passado"

Impactos económicos e sociais

Destinos turísticos como Cancún, Tulum e outros pontos da Riviera Maya têm sofrido prejuízos devido ao cheiro e à aparência das praias quando o sargaço entra em decomposição. Hotéis reduziram preços e investem milhões de dólares em limpeza mecânica e logística para retirar o material orgânico, utilizando desde equipas de funcionários até maquinaria pesada e apoio militar em alguns casos.

  • Grandes volumes de sargaço comprometem a atratividade das praias e as receitas turísticas.
  • Remoção contínua implica custos elevados e impacto ambiental associado às técnicas usadas.
  • A incerteza sobre a persistência do fenómeno dificulta planeamento e medidas a longo prazo.
Ano Estimativa de toneladas
2011 1 milhão
Último ano referido 40 milhões
2026 (previsão) Entre os maiores registos

Para além do impacto turístico imediato, o acumulado de algas altera ecossistemas costeiros e pode afetar a pesca local, a biodiversidade e a qualidade da água. A problemática coloca igualmente questões sobre a melhor forma de gerir o material retirado das praias e sobre respostas transnacionais, uma vez que as correntes e os fatores climáticos que alimentam o fenómeno ultrapassam fronteiras.

Os peritos avisam que a natureza relativamente recente e sazonal do problema torna difícil prever a sua evolução: há sinais de aceleração, com a massa de algas a crescer de forma abrupta desde 2010, mas a futura trajectória dependerá de variáveis oceânicas e climáticas complexas.

Enquanto isso, autoridades locais, empresas do sector e centros de investigação procuram soluções que minimizem custos e danos ambientais, ao mesmo tempo que planeiam respostas para proteger destinos turísticos e as comunidades costeiras que dependem deles.

Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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