Ambiente

Ameaças e pistoleiros travam demarcação de terra indígena ligada à hidrelétrica de Belo Monte

O processo de demarcação da terra indígena Paquiçamba, condicionante da licença da hidrelétrica de Belo Monte, está suspenso por ameaças de pistoleiros e obstrução por não indígenas, com pedido de reforço de segurança feito pelas autoridades federais.

Ameaças e pistoleiros travam demarcação de terra indígena ligada à hidrelétrica de Belo Monte
©Ilustração IA Rita Machado / propagandistasocial.com

Conflito impede conclusão de condicionante ambiental de Belo Monte

O avanço da demarcação da terra indígena Paquiçamba, prevista como uma das condicionantes ambientais da usina de Belo Monte, no Pará, encontra-se interrompido após uma série de episódios de intimidação que envolvem a presença de pistoleiros e de não indígenas dentro da área. A escalada das ameaças levou técnicos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) a solicitar intervenção policial e a pedir apoio de agentes da Força Nacional de Segurança Pública.

Segundo o relato acessível às autoridades, as ameaças foram formalizadas em boletins de ocorrência na delegacia da Polícia Federal de Altamira. Um episódio citado no processo descreve uma ida de fazendeiros à sede da Funai em Altamira, no dia 12 de maio, para tentar obter informação sobre o movimento das equipas de demarcação e advertir que havia pistoleiros na região, numa tentativa clara de intimidar os técnicos e inviabilizar os trabalhos.

O trabalho físico de marcação da Paquiçamba começou em julho de 2023, depois de a concessionária Norte Energia ter contratado uma empresa para executar a demarcação. No entanto, os trabalhos não foram concluídos: além das ameaças, registaram-se tentativas de obstrução mesmo com apoio da Polícia Federal. As equipas operam em zonas de fraco acesso e com logística limitada, o que agrava os riscos.

O Ministério dos Povos Indígenas solicitou ao Ministério da Justiça a permanência por mais 90 dias de agentes da Força Nacional para proteger não só os servidores e técnicos, mas também as comunidades indígenas afectadas. A ação insere‑se no quadro das medidas impostas quando foi concedida a licença ambiental à hidrelétrica, cujo objectivo era mitigar impactos sobre povos indígenas do entorno do rio Xingu, na região de Altamira.

O caso levanta questões centrais sobre a execução das condicionantes ambientais associadas a grandes obras de energia e sobre as garantias de protecção para populações indígenas e trabalhadores técnicos em áreas de conflito fundiário. A persistência de ocupantes não indígenas dentro da área e as dificuldades logísticas são apontadas pelas autoridades como factores que têm impedido a conclusão do processo de demarcação.

Sem a conclusão da demarcação física da Paquiçamba, a concretização das obrigações ambientais relativas a Belo Monte fica comprometida, com potenciais repercussões legais e sociais para todos os intervenientes na região.

Resumo dos factos principais

  • Demarcação da terra indígena Paquiçamba começou em julho de 2023 e não foi concluída.
  • Registos de ameaças e tentativa de intimidação por fazendeiros e pistoleiros; ocorrência formalizada na PF de Altamira.
  • Ministério dos Povos Indígenas pediu apoio da Força Nacional por mais 90 dias.
DataEvento
Julho 2023Início da demarcação física da Paquiçamba
12 de maioFazendeiros tentaram descobrir itinerário das equipas; menção de pistoleiros
Pedido recenteSolicitação de 90 dias adicionais da Força Nacional pelo Ministério dos Povos Indígenas
Rita Machado
Rita IA Jornalista de Ambiente online

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