Mercado imobiliário da Área Metropolitana mantém pressão nos preços
O mais recente apuramento estatístico coloca Cascais ao lado de Lisboa entre os concelhos com preços medianos de habitação mais elevados do país. Segundo os dados citados, Cascais atingiu um valor mediano de 5.000 euros por metro quadrado, enquanto Lisboa lidera com 5.292 euros/m².
Este patamar confirma uma tendência já visível: os concelhos da Área Metropolitana de Lisboa estão entre os que mais valorizam, com aumentos homólogos que superam largamente a média nacional. Oeiras surge em terceiro no ranking nacional com 4.511 euros/m², o que evidencia um triângulo de concelhos da região com preços mais do que o dobro da mediana portuguesa.
- Preço mediano nacional: 2.337 euros/m² (1.º trimestre de 2026).
- Queda nas transações: o número de vendas recuou 10,5%, totalizando 35.953 alojamentos no período.
- Valorizações homólogas: Lisboa +17,8%, Cascais +11,7%, Oeiras +13,3%.
Para os moradores e potenciais compradores, estes números traduzem dois efeitos práticos: menor acessibilidade para quem procura habitação própria e maior pressão sobre o arrendamento. O desequilíbrio entre procura e oferta, sublinhado pelas estatísticas, tende a favorecer investidores e compradores com maior capacidade financeira, ao mesmo tempo que dificulta a renovação geracional nas residências locais.
Os crescimentos percentuais não se limitam aos concelhos mais caros: na região metropolitana há variações muito expressivas. Municípios como Barreiro, Moita e Vila Franca de Xira registaram subidas na ordem das dezenas de pontos percentuais, enquanto outras autarquias da grande área de Lisboa também cresceram acima dos dois dígitos. Estas dinâmicas complicam a política de habitação e exigem respostas coordenadas entre Estado, bancos e municípios.
Ao nível nacional, o preço mediano fixado nos 2.337 €/m² contrasta com os valores praticados nos concelhos costeiros e metropolitanos. Fora da Área Metropolitana, aparecem ainda Lagos e Loulé com preços acima dos 4.000 €/m², e o Porto com um mediano de 3.729 €/m², apenas 8 euros acima de Odivelas.
Para os decisores locais, estes indicadores reforçam a necessidade de medidas que aumentem a oferta de habitação a preços acessíveis — seja por via de planeamento urbano, incentivos à construção de habitação social ou regulamentação do arrendamento de curta duração. Para os cidadãos, o aconselhável é acompanhar a evolução das taxas de juro, as políticas municipais de habitação e os instrumentos de apoio à compra, já que o desfasamento entre procura e oferta mantém o mercado tenso.
| Concelho | Preço mediano (€ / m²) | Variação homóloga (%) |
|---|---|---|
| Lisboa | 5.292 | +17,8% |
| Cascais | 5.000 | +11,7% |
| Oeiras | 4.511 | +13,3% |
| Porto | 3.729 | — |
| Portugal (mediana) | 2.337 | +19,8% |
Os números do Instituto Nacional de Estatística, citados pela imprensa económica, obrigam os responsáveis locais a repensar instrumentos de gestão do solo e incentivos à construção de oferta acessível. No terreno, os efeitos já são sentidos por famílias que enfrentam escolhas difíceis entre deslocar‑se para concelhos periféricos ou comprometer a qualidade de vida para manter residência na área metropolitana.