Resumo e ligação política
A construtora Construbarcelos, cuja relação com o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, tem sido publicamente referida, apresentou em 2025 um resultado líquido negativo que marca uma mudança face ao exercício anterior. A empresa, dirigida por João Carvalho, tinha vindo a faturar volumes relevantes em contratos com a Polícia Judiciária (PJ) entre 2019 e 2025, mas a redução destas adjudicações no último ano coincide com o registo de prejuízo.
Dados económicos e evolução recente
Em 2025, a Construbarcelos declarou vendas e serviços prestados na ordem dos €687 mil, mas terminou o ano com um resultado líquido negativo de cerca de €8 mil. Em contraste, no exercício de 2024 a firma tinha apresentado um lucro superior a €103 mil, suportado por um volume de negócios de €985 mil.
| Indicador | 2024 | 2025 |
|---|---|---|
| Volume de negócios / Vendas | €985.000 | €687.000 |
| Resultado líquido | +€103.000 | -€8.000 (aprox.) |
| Ativo corrente | €382.000 (em 31/12/2025) | |
| Passivo corrente | €360.000 (dos quais €104.000 ao Estado) | |
Contratos com a Polícia Judiciária
Segundo a lista de contratos disponibilizada pela própria PJ, a Construbarcelos acumulou entre 2019 e 2025 contratos que totalizam mais de €2,23 milhões. O pico aconteceu em 2024, com adjudicações na ordem dos €580 mil — entre as quais figuram a segunda fase de reabilitação do edifício da Unidade Local de Investigação Criminal (ULIC) de Évora e obras na sede da Diretoria do Norte, no Porto. Em 2025, porém, as adjudicações com a PJ reduziram-se para apenas €37 mil, destinados à conclusão de trabalhos na ULIC.
Estrutura financeira e recursos humanos
À data de 31 de dezembro de 2025, a Construbarcelos apresentava capitais próprios de €186 mil e um património declarado de €164 mil — principalmente terrenos e edifícios, avaliados em cerca de €66 mil cada um. O passivo corrente ascendeu a €360 mil, incluindo os €104 mil em obrigações para com o Estado. Os encargos totais de 2025 ultrapassaram os €550 mil, sendo que os gastos com pessoal representaram cerca de €268 mil. A empresa também registou uma redução no número de trabalhadores face a 2024, quando dispunha de 21 empregados.
- Redução do montante de contratos com a PJ de €580 mil (2024) para €37 mil (2025).
- Passagem de lucro de €103 mil (2024) para prejuízo de aproximadamente €8 mil (2025).
- Passivo corrente inclui €104 mil a pagar ao Estado.
Consequências e questões públicas
A conjugação de uma significativa diminuição das adjudicações com a PJ e o registo de prejuízo coloca questões sobre a sustentabilidade do modelo de negócio e sobre a dependência de contratos públicos. A existência de dívidas ao Estado e a descida do volume de negócios levantam também preocupações sobre o futuro imediato da actividade da empresa e os impactos sobre postos de trabalho localizados na esfera da construtora.
Do ponto de vista político, a ligação pessoal entre o responsável da empresa e o atual ministro da Administração Interna torna o caso susceptível de gerar debate público. Sempre que surgem valores relevantes de contratos entre privados e entidades do Estado, particularmente em torno de personalidades públicas, torna-se expectável que se peça transparência adicional sobre processos de adjudicação e critérios de selecção.
Sem informações adicionais sobre a natureza detalhada dos procedimentos de contratação ou eventuais fiscalizações, persistem dúvidas que podem requerer pedidos de esclarecimento às entidades competentes, nomeadamente à Polícia Judiciária e às autoridades fiscais, sobre a regularidade e a concorrência que presidiram às respectivas adjudicações.