Saída da prisão e viagem a Portugal autorizada pelo juiz
O opositor guineense Domingos Simões Pereira abandonou hoje a cadeia onde estava em prisão preventiva e seguiu para Portugal para submeter-se a tratamento médico, após despacho do juiz de Instrução Criminal, Mamadú Embaló, que autorizou a sua ausência do país por um período de noventa dias.
Contexto judicial e motivos médicos
Simões Pereira encontrava-se detido desde 10 de julho no âmbito de um processo em que a justiça militar da Guiné-Bissau o acusa de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em outubro de 2025. Segundo a defesa, citada pela Lusa, a autorização judicial para a viagem fundamentou-se num relatório do Hospital Militar de Bissau, que recomendou observação do líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) num centro médico especializado em Portugal.
Saída das celas e partida
De acordo com a mesma fonte, Simões Pereira saiu das celas da Segunda Esquadra de Bissau pelas 18:20 (hora de Bissau) e deslocou‑se para o Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, onde embarcou num voo da TAP com destino a Lisboa. A defesa informou ainda que a saída do país se processou na companhia de alguns familiares diretos.
"Já saiu e segue para o aeroporto na companhia de alguns familiares diretos"
- Detenção: desde 10 de julho de 2026 (prisão preventiva).
- Autorização: ausência da Guiné‑Bissau por 90 dias, sem atividade política.
- Motivo: necessidade de observação num centro médico em Portugal, segundo relatório do Hospital Militar de Bissau.
Implicações políticas e de controlo do processo
A decisão do juiz inclui a proibição de qualquer atividade política durante o período de autorização, chamando a atenção para a dimensão política do caso: trata‑se do líder de um dos principais partidos políticos guineenses, com influência na dinâmica interna do país. A saída temporária para tratamento levanta questões sobre a gestão do processo judicial e o equilíbrio entre requisitos de saúde e medidas cautelares impostas pela justiça militar.
Cobertura e limitações informativas
Importa sublinhar que a informação foi prestada à agência Lusa por uma fonte da defesa, em contacto telefónico a partir de Lisboa. A delegação da Lusa na Guiné‑Bissau encontra‑se suspensa desde agosto de 2025, após a expulsão de representantes dos órgãos de comunicação social portugueses, pelo que a cobertura está a ser assegurada à distância.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Data de início da prisão preventiva | 10 de julho |
| Autorização de ausência | 90 dias (sem atividade política) |
| Hora de saída das celas | 18:20 (hora de Bissau) |
| Destino | Lisboa, Portugal |
O caso permanece sujeito ao processo conduzido pela justiça militar na Guiné‑Bissau, e a autorização de deslocação não altera, por si só, as acusações em curso. A vigilância sobre os desenvolvimentos — tanto judiciais como políticos — é pertinente face ao papel do PAIGC na estabilidade política do país e às relações com Portugal, que agora acolhe o dirigente por razões médicas.