Região quer transformar localização geográfica em vantagem competitiva
O presidente do Governo Regional dos Açores destacou em Lisboa a mudança de perceção sobre o arquipélago, que, afirmou, deixou de ser visto como periferia e ganhou uma nova centralidade em termos geopolíticos e geoestratégicos. Na sequência da sua participação no seminário "A nova centralidade dos Açores: Perspetiva estratégico-militar", o responsável regional sublinhou a importância de articular defesa, inovação, resiliência e desenvolvimento económico para tirar partido da localização atlântica.
Na intervenção, foram apontadas várias infraestruturas que, segundo o Governo Regional, reforçam a capacidade do arquipélago para apoiar operações de segurança e defesa e para impulsionar sectores tecnológios e marítimos. Entre as valências referidas estão a Base das Lajes (ilha Terceira), o cais NATO de Ponta Delgada, a futura Zona Livre Tecnológica da Horta e o porto espacial de Santa Maria. Estas unidades são apresentadas como peças-chave para transformar a posição geográfica numa vantagem competitiva para os Açores e para Portugal.
"A nossa posição geográfica deve traduzir-se em mais segurança, mais resiliência e mais futuro."
O chefe do executivo regional enfatizou também a necessidade de reforçar a vigilância marítima, proteger as infraestruturas críticas e aprofundar o conhecimento situacional do espaço marítimo envolvente. A proposta passa por uma cooperação mais estreita entre a Região, a República, a NATO e a União Europeia, conciliando preocupações de soberania, segurança, sustentabilidade e desenvolvimento.
Para os residentes, esta estratégia tem implicações práticas: a expansão ou modernização de infraestruturas pode trazer emprego qualificado e dinamizar cadeias de valor locais, mas também coloca exigências de planeamento territorial, ambiental e de diálogo institucional para garantir benefícios equitativos. O destaque dado à vigilância e proteção dos espaços marítimos sublinha ainda desafios na gestão de recursos e na prevenção de riscos, num contexto de crescente geopolítica atlântica.
- Infraestruturas estratégicas: Base das Lajes, cais NATO de Ponta Delgada, Zona Livre Tecnológica da Horta, porto espacial de Santa Maria.
- Objetivos: combinar defesa com inovação e desenvolvimento económico.
- Cooperação: maior articulação entre Região, República, NATO e UE.
| Infraestrutura | Ilha |
|---|---|
| Base das Lajes | Terceira |
| Cais NATO | Ponta Delgada (São Miguel) |
| Zona Livre Tecnológica | Horta (Faial) |
| Porto espacial | Santa Maria |
O posicionamento público do Governo Regional altera o enquadramento das discussões sobre os investimentos a priorizar nos Açores. A proposta de converter a localização atlântica numa alavanca de segurança e crescimento coloca na agenda elementos técnicos (vigilância marítima, proteção de infraestruturas) e políticos (cooperação internacional, soberania). Cabe agora aos próximos passos — projetos concretos, calendários de investimento e acordos institucionais — transformar a retórica estratégica em efeitos tangíveis para as populações do arquipélago.