Um instrumento de saúde pública que nasce da comunidade
Os Hortos Agroflorestais medicinais do Distrito Federal são hoje apresentados como um exemplo concreto de como práticas agroecológicas podem ser incorporadas ao sistema de saúde pública. Iniciado em 2018 na Unidade Básica de Saúde do Lago Norte, o projecto cresceu a partir da mobilização local e da transformação de um espaço degradado em área de cultivo, com objectivos que vão além da produção de alimentos.
A iniciativa prossegue uma lógica preventiva: promover alimentação saudável, fortalecer a convivência comunitária e estabelecer vínculos com o território, antecipando o cuidado antes do adoecimento. Essa dimensão preventiva foi reconhecida institucionalmente quando o projecto passou, em 2025, a ser considerado um equipamento de saúde pela Secretaria de Saúde, por meio da Portaria n.º 137.
“O espaço tinha entulho, e a partir do conhecimento em agrofloresta, foi feito um mutirão com moradores para implementar o horto”,
A coordenadora do projecto, Ximena Moreno, sublinha que a criação do primeiro horto resultou de uma resposta comunitária a problemas locais, nomeadamente o aumento de arboviroses. A iniciativa demonstra como saberes locais e práticas agroflorestais podem contribuir para estratégias de promoção e prevenção em saúde.
Os hortos têm tido maior adesão em áreas periféricas do Distrito Federal, onde, segundo a coordenação, existe uma memória de práticas rurais e uma carência de áreas verdes. Nessas comunidades, os espaços cumprem funções múltiplas: produção alimentar, educação em saúde, reforço de laços sociais e resgate de saberes ancestrais.
- Prevenção e promoção: os hortos atuam antes do adoecimento, integrando alimentação e ambiente no cuidado.
- Participação comunitária: o projecto surgiu por iniciativa local e consolidou-se por pressão social e mobilização.
- Reconhecimento institucional: a Portaria n.º 137 (2025) formalizou os hortos como equipamento de saúde.
Esta experiência inverte a lógica tradicional das políticas públicas ao partir do território para a institucionalização, em vez do caminho contrário. Ao ganhar estatuto oficial no sistema de saúde, o projecto abre espaço para reflexões sobre replicabilidade noutros contextos urbanos e sobre a integração de práticas agroecológicas nas estratégias de saúde pública.
| Ano | Evento |
|---|---|
| 2018 | Início do primeiro horto na UBS do Lago Norte |
| 2025 | Reconhecimento como equipamento de saúde (Portaria n.º 137) |
O caso dos hortos agroflorestais do DF aponta para uma ampliação da «cultura do cuidado» que inclui o meio ambiente e a alimentação saudável, propondo uma abordagem integrada que pode influenciar políticas públicas em outras regiões preocupadas com prevenção e promoção da saúde.